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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Bodhidharma (O mundo não é somente economia)

Até hoje, a história da origem das artes marciais orientais, não se encontra totalmente elucidada e talvez nem seja, já que são ancestrais demais seus fundamentos. Uma das versões (resumida), é que um monge indiano, chamado Bodhidharma, numa de suas viagens, hospedou-se no templo Shaolin e lá transmitiu alguns de seus ensinamentos, que seriam uma espécie de ginástica, para fortalecer o corpo, no intuito de resistir aos enormes períodos de meditação. Essa dita ginástica, seriam movimentos inspirados nos próprios movimentos dos animais. Todo o resto desenvolvido, foi a partir daí...Esta é uma versão de "origem" chinesa, existem outras, de origens japonesa, coreana, tailandesa, etc. Mas o que eu queria mesmo era (re) lembrar uma história atribuída a este monge, Bodhidharma. O caçula dos três filhos de um rei, aos oito anos já afirmavam ser um iluminado, situam sua vida lá pelo ano de 500 DC e esta precocidade nos lembra as histórias do Nazareno (que acabei lembrando por conta do filme de Saramago e seu outro livro-O Evangelho Segundo Jesus Cristo). Havia um velho monge (sempre há) que servia de tutor aos três príncipes e certa vez, de posse de um imenso diamante, presente do rei, perguntou se conheciam algo mais valioso que aquela pedra? O príncipe mais velho e o "do meio" responderam que não havia, que somente o mestre poderia ter aquele belo presente e outras bajulações semelhantes ao que o pequeno Bodhidharma disse: - Realmente meus irmãos estão certos, pois é um belo tesouro, mas compreender o valor, é uma sabedoria sem preço, portanto compreender que um diamante vale muito mais que um caco de vidro, é de grande valia tanto quanto a pedra em si.Porém, é um conhecimento vazio, tratando-se apenas do conhecimento material do mundo, a verdadeira sabedoria consiste em compreender-nos a nós mesmos.
Assim como as artes marciais, no fundo, são galhos da mesma árvore, escutamos tantas histórias (similares) das religiões, que nos levam a crer o mesmo. Quantas histórias do pequeno "Bodhi" são similares as do pequeno filho de Maria ou do jovem Sidarta?
Outro aspecto é a colocação do pequeno Buda quanto ao valor, tanto do vidro, como do diamante e do conhecimento. Observa-se um importante rascunho da teoria econômica de utilidade marginal, para desgosto dos que colocam todas as fichas na teoria de valor de Marx, mas isso é outra história, afinal eu já misturei demais alhos com bugalhos...

domingo, 12 de agosto de 2012

Celso Blues Boy



 
O câncer, maldito que sempre evolui, como lembrou meu amigo Juninho estes dias, levou nosso amigo Nelson faz tempo e vive rondando minha gentil progenitora. Estes dias passados levou Celso, alcunha Blues Boy, dez anos mais velho do que eu, o que me mete muito medo. Mas ele, nessa última apresentação ao vivo, não se lamentava, apesar do bócio visível, o braço magro e a voz menor do que já era, porém, insistindo em cantar “pra que se lamentar”...
O vi muitas vezes, no Circo Voador, numa viagem a Valença (interior do Estado), no Morro da Urca – Noites Cariocas, outra em Búzios num festival de blues, sempre cantando junto, mesmo quando eu já não estava mais “Fumando na Escuridão” ou experimentando o “Brilho da Noite”
Ainda tenho guardado um LP: “Som na Guitarra”, lançado em 1984, com a clássica: “Aumenta Que Isso Aí É Rock AndRoll”, o qual nunca mais escutei depois que quebrou meu tocador de vinil, mas guardei a mensagem. Clique nos links e guarde você também.

domingo, 18 de março de 2012

Blade Runner, Fetichismo do Capital e o Email de um Amigo

Meu amigo Caé enviou-me um email esta semana, em parte sobre suas aventuras no mundo do futebol, o qual reproduzo parte:

“Você já trabalhou no sertão com futebol? Você sabe a força do calor? O brilho intenso do sol conhece? Você já esteve com um grupo de atletas, membro de comissão técnica, roupeiros, massagistas, crianças dando um suporte, pegadores de bolas, já esteve nesse ambiente?
... Amigos, foi nisso tudo que pensei quando ao terminar o treino, cheguei até a pousada onde moro e me deliciei no banho de um bom chuveiro com água bem gelada, Que delicia! O simples fato de estar com saúde e trabalhando, me trouxe uma enorme felicidade, de estar Lá no treino com as pessoas que estive com os amigos que estou fazendo e com as novas experiências trocadas profissionais e humanas”

Seu texto me fez evocar muitas coisas. Lembrei do filme "Blade Runner" e seu final (para mim) inesquecível, quando ao salvar Deckard (o personagem de Harrisson Ford - o "tal" caçador de andróides) de cair do alto de um prédio, Roy (o andróide) fala calmamente como que se despedindo: "Eu vi coisas que vocês não acreditariam: Ataquei naves em chamas nas bordas de Orion, observei Raios-C brilharem na escuridão dos ares dos Portões de Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva...". Em seguida, abaixa a cabeça, morre e liberta para voar a pomba branca que está segurando. Claro que não lembrei ponto por ponto do texto e fui buscar ajuda no VOCÊTUBO.

Lembrou-me, porque assim como o personagem Roy, Caé está vivenciando coisas únicas e assim como suas outras experiências no futebol, tenho certeza, jamais esquecerá, assim como outros do ramo, que quando vemos na televisão falando de seus tempos idos, quase nos cegam com o brilho dos seus olhos, da mesma forma que você iluminou com suas palavras.

Hoje voltei a pensar em seu texto e lembrei-me do quanto nos lembramos de coisas boas e do quanto essas coisas boas aconteceram em sua maioria quando éramos jovens. Talvez porque quando jovens, tanto não temos mais nossos fantasmas de criança, como não temos ainda nossos fantasmas de adultos, que no fim nos fazem de escravos. Eu vou colocar de forma mais teórica: o fetichismo do capital (e completando a santíssima trindade, o dinheiro e a mercadoria) com seu mecanismo regulador das relações sociais.

Certa vez, já contei o motivo de ter ido estudar (e continuar estudando) economia, para me ajudar na compreensão do mundo em que vivemos. Pois esta compreensão é de forma abrangente e hoje entendi que meu amigo Caé, permanece a cada dia que passa, mais jovem, porque persegue um sonho e somente os jovens tem essa força, tanto em seu coração como em sua mente, porque ainda não sei, se os fantasmas não existem ou se é facultativo acreditar neles ou não, quando o poder atribuído pela mente-humana, ou melhor, pela sociedade, de maneira mágica, os transforma em reais e verdadeiros.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Carta ao economista e amigo Renato Couto

Continuação do post anterior (original do blog Sociologando)

Prezado Renato,

Penso que Marx percebeu, como nenhum outro estudioso do capital, a fome desesperada da burguesia em expandir seus negócios, a necessidade imperiosa de permanentemente revolucionar as forças produtivas (ou sucumbir). Novos mercados não param de surgir!? Sim, mas em condições cada dia mais desumanas e artificiais (destruidoras da própria natureza e do meio ambiente). Marx, graças a sua visão dialética (tudo é transitório) e materialista (todo pensamento - e até o dinheiro, este símbolo de valor - necessariamente parte de uma base concreta, real) percebeu como é finita a natureza (e o homem, que é parte dela) frente a ganância desmedida que é própria da lógica capitalista. O capital é uma força social criada por trabalhadores alienados do processo e no processo produtivo.
Sou convicto de que a bicicleta do capital tem fim, porque ela destrói e dilacera os músculos de quem a pedala (o trabalhador), desvaloriza qualquer coisa que lembre "trabalho", para especular para muito além da ética e da razão. Gosto muito do filme de Michael Moore, onde ele mostra até que ponto pode chegar a ganância das grandes corporações: uma empresa emprega milhares de trabalhadores e faz um seguro de vida em nome de cada um deles, sendo que o beneficiado em caso de morte do trabalhador é a própria empresa. O capital já não é capaz de esconder seu desejo de morte: transformou a morte de seu trabalhador em mais uma fonte de lucro (aprimorando a máquina mortífera de Hitler!). Outro dado é que não há sustentação econômica para o desgarramento da atividade especulativa frente a atividade produtiva, cada dia mais destrutiva: enquanto a primeira beira os 600 trilhões de dólares, a segundo está em 60 trilhões (PIB mundial).
Nesta lógica os bancos se assenhoram dos estados, dos governos (vide Grécia - com Papademos - e Itália - com Mário Monti, homens da Goldman Sachs, para citar dois exemplos bem recentes de apropriação mundial de riqueza), numa lógica autofágica. Aliás, até isso, Marx nos ensinara: o Estado capitalista é o local onde a burguesia administra seus negócios. Só que agora reduzida ao mínimo, terceirizado em favor da própria burguesia e sua ânsia de mais valia. A conclusão desta guerra contra o ser humano (os 99%) e o que resta da natureza é a nazifascistização atual, que aponta para uma III Guerra Mundial, porque até a guerra está privatizada. E durma-se com um barulho desses!

Renato Fialho Jr.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Uma Carta do Sociólogo ao Economista

O amigo Renato Fialho é amigo há mais de 40 anos e isso basta para, acredito, confirmar tanto a liberdade em reproduzi-lo como os saudáveis (porém poucos) papos que temos batido via “email”. Algum tempo atrás lhe respondi um email, sobre um artigo cujo tema era as igrejas evangélicas, ele mandou outro que acabou numa bela carta publicada em seu blog, que reproduzo breve, junto com os emails (que acredito originou a mesma).
Primeiro o email que Fialho me enviou:

Em 12/12/2011 18:44, rfialhojr < rfialhojr@uol.com.br > escreveu:
Agora, a Globo também tem seu braço evangélico!

http://odia.ig.com.br/portal/rio/html/2011/12/informe_do_dia_louvor_oficial_211729.html


Informe do Dia: Louvor oficial
POR FERNANDO MOLICA
Rio - A conta do louvor foi rachada entre todos os cariocas: a Riotur, empresa da prefeitura que cuida de turismo, pagou R$ 2,9 milhões pelo patrocínio do Festival Promessas, o espetáculo gospel ocorrido ontem no Aterro.

Promovido pela Rede Globo, que exibirá trechos do show no dia 18, o festival foi batizado com o nome de uma coleção de CDs evangélicos da Som Livre, gravadora das Organizações Globo. A organização do Promessas coube à Geo Eventos, que recebeu a verba da prefeitura. A empresa pertence às Organizações Globo e ao Grup o RBS.

Outros contratos

Em 2011, a Riotur patrocionou outros dois eventos organizados pela Geo:destinou R$ 15 milhões para o sorteio dos grupos das eliminatórias da Copa e R$ 4 milhões para uma etapa do circuito mundial de surfe, o Billabong Rio Pro.

Turismo divino

Uma visita ao Rio Transparente — site que registra receitas e despesas da prefeitura — mostra que a Riotur é ecumênica. Também em 2011, deu R$ 3,206 milhões para a Mitra Arquipiscopal, que representa a Arquidiocese do Rio.

Então respondi:

Xará,
Sabemos a "lição de casa" que onde há $$$$ existe a possibilidade de multiplicá-lo (quem sabe da mesma forma que o filho de Maria fez com os peixes?). Desta forma, o poder na sua forma midiática (mas nem por isso gostando menos de dindin) fica babando sangue toda vez que percebe uma nova oportunidade (leia-se mercado), pois dada a saturação dos existentes, qual a única forma de expanção? Senão a conquista de novas "colônias" ?
O velho e barbudo Mouro escreveu, assim como um ícone do liberalismo (nem por isso o "cara" não foi um dos melhores economistas...): Schumpeter, com sua visão do empreendedorismo e da busca da inovação, como forma de perpetuação da utilidade do capital. A palavra utilidade (tradução de nãoseioquedealemão) é conceito econômico, próximo de "lucro do lucro", seria um valor % superior a taxa de empréstimo bancário, etc..., desta forma um tanto diferente do conceito de mais-valia, que você domina melhor do que eu. Enquanto um determina que o capitalista "usa"(explora seria melhor) o valor trabalho do proletariado o outro determina que o capitalista "usa" (também) a poupança interna do sistema. Mas de onde surge essa poupança interna, já que o proletariado ganha somente para seu sustento? Kalecki explica, que a poupança interna não passa de uma "reinvenção" da mais-valia obtida anteriormente, ou seja, novamente temos a multiplicação como mágica. Mas até quando eles podem pedalar essa bicicleta? Indefinidamente (para tristeza de Marx), já que novos mercados não param de surgir (este foi o brilhante insight de Schumpeter). Você tem celular? Gastou quanto com ele? Pensava em comprar um há 20 anos atrás? E DVD? E a pasta de dente que clareia os dentes? Você acredita em deus? Tenho um livro óóóóóotimo aqui, quer comprar? E este CD Gospel, tem aquela música do $ilas Malafaia...
Aí você pode argumentar que o DVD somente substituiu o vinil, sim, o trabalhador do vinil ficou desempregado, sujeitou-se a um salário menor, e salário menor = mais-valia maior, e a bicicleta continua...
Cadê aquele chopp ?????

Abraços,

Couto

No próximo post, reproduzo "Carta ao Economista e Amigo Renato Couto"

domingo, 12 de junho de 2011

Guevara, Quadrinhos e eu

Link
Sempre um fã dos quadrinhos, faço este post (principalmente) para aclamar uma obra-prima: Che – Os Últimos dias de um Herói, com roteiro de Héctor Oestherheld e arte de Alberto e Enrique Breccia. Andando pelos sebos do Rio de Janeiro, deparei com este álbum, uma HQ publicada na Argentina três meses após a morte de Guevara e republicada pela Conrad em 2008. Encontrei uma HQ tão desconcertante (embora totalmente parcial a causa guerrilheira), que os militares argentinos (da época) não perdoaram, acabando por matar não só o roteirista , como também suas filhas. Da família, sobraram apenas a esposa e um neto. ¨Demos um sumiço nele por ter feito a mais bela história de Che que já foi escrita¨, disse um militar argentino, no melhor (ou pior?) estilo natcht und nebel erlass (decreto da noite e névoa), de Hitler, ao estipular detenções secretas e sumiços...

Lembrei então de meu amigo Fialho, prometendo uma passada em sua casa para emprestar o dito álbum. Um assunto puxa o outro e relembramos nosso tempo de quadrinhos. Ele perguntou se eu ainda tinha algum exemplar da revista MURO, com nossos desenhos. Revirei, revirei, mas infelizmente não achei, somente um exemplar de outra : Art&Manha, revista feita por e para estudantes universitários e secundaristas do Rio, onde meu primo Raul brilhava, tendo Fialho e eu como meros coadjuvantes (Ah!Eu sou rencomotta, autor do desenho aí embaixo, inspirado em texto de Gil Vicente). Este nº 6 foi financiado por um projeto da FUNARTE, de apoio ao quadrinho estudantil, em 1980 (acho)...


*clica no desenho (que ele aumenta) e leia os balões...

1- O que procura?

2-Meu nome é Todo Mundo e passo o meu tempo todo a procurar dinheiro.

3-Pois meu nome é Ninguém e passo todo o meu tempo a procurar a consciência.

4-Esta é boa! Todo o Mundo procura dinheiro e Ninguém a consciência!

5-Ninguém: "Eu nunca minto..."

Todo o Mundo:"Saco..."

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Jeff Healey, o menino branco, loiro e cego que tocava blues



“Oh! He´s my man! My man!”
Blues Boy King gritava eufórico, por não acreditar no que via e tampouco escutava. O garoto do Canadá, branco, loiro e cego, que tocava sentado e cantava como cria do Mississipi.
Eric havia avisado ao mestre o quanto iria se surpreender, mas não houve preço.

O vi pela primeira vez ao vivo num show no falecido Noites Cariocas, quando este foi berço do rock nacional dos anos 80, onde também vi nascer Cazuza, Renato Russo, Capital e outros, tanto vivos como mortos.
Nesta época, no meu mundo, havia mais roqueiros que economistas, mas foram estes últimos que finalmente, após tanta andança, me ajudaram a compreender (tentar) este mundo sem deus.

I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at the floor and i see it needs sweeping
Still my guitar gently weeps
I don't know why nobody told you how to unfold your love
I don't know how someone controlled you
They bought and sold you.

Mas voltando ao garoto branco e cego. Fui ao cinema para ver um bom filme de porrada. Sabia que Patrick Swayze, além de dançarino, mandava bem nas artes marciais, então fui conferir se ele merecia a alcunha de Matador de Aluguel. Pois sim, o cara era bom, mas o que me deixou chapado, foi não só a trilha do filme, quando lá pelas tantas, aparece o branco descrito acima: sentado, loiro, branco e cego, num improvável blues rasgando o delta e me fazendo procurar o disco do moço, na primeira sobra de uns caraminguás.

Desde que nasceu, lutou contra um tipo raro de câncer, que lhe levou a visão: retino-blastoma. Que nome filho-da-puta! Que doença filha-da-puta! Cego antes de um ano e faz três anos, lhe tirou um pedaço da perna, um pulmão e por fim, levou-o inteiro. Cego (não me canso de dizer, talvez por não acreditar), tocava com a guitarra deitada sobre seu colo, contrariando as regras da execução do instrumento, não dedilhando, mas como se fosse um piano. Depois dele, só Stanley eu veria tocar assim, mas em pé.

I look at the world and i notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps
I dont know how you were diverted
You were perverted too
I dont know how you were inverted
No one alerted you.

Em 1985 foi montou a The Jeff Healey Band, quando passou a tocar com as grandes lendas do blues como King, Stevie Ray Vaughan e Clapton. Hoje ele também é uma.

Hell to Pay, de 1990, trouxe a faixa While My Guitar Gently Weeps, composta por Harrison para o Álbum Branco, que foi lançado dois anos após Healey nascer, com a canção que ficou divinizada por ter os solos de guitarra feitos por Eric Clapton, já apaixonado pela mulher de George. Na voz e guitarra de Healey, esta canção foi novamente algo mais que um grande sucesso.

Realizava sonhos. Talvez seja mais fácil de sonhar com os olhos fechados, ou sem os mesmos, que nunca abriram. Alguns poderão dizer que fez pacto, tal qual Robert Johnson, com o capeta, para tocar guitarra daquela forma, mas qual cego não faria um pacto, sim, para enxergar o que nunca viu. Nunca, digo, pois com cegueira antes de um ano, do que lembraria? Será que preferiu a guitarra aos olhos?

I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
Look at you all . . .
Still my guitar gently weeps.

Nasceu em 66, não na rota, mas no ano e em 2008 foi fazer uma Jam session, não sabemos onde, mas se está na companhia de Johnson e Stevie Ray, desconfiamos, afinal, em harpas celestiais não cabem distorções.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Férias chegando

Sempre, ou melhor, desde que me entendo por gente, gosto de histórias em quadrinhos, cartuns e semelhantes. Tendo inclusive, uma vasta seleção, com antigos Fradins, Balão, Luis Gê, a imprensa nanica dos anos 80, Mosca, Roleta, Ovelha Negra, um velho Pasquim que publicou um desenho meu (eu tinha que contar!), Nicoliélo, livros como Antologia Brasileira de Humor I e II, com vários feras nacionais entre outras raridades. Vivo me prometendo que irei scanear (que palavra) alguma coisa e colocar na internet, mas aí vem o direito autoral e me assombra. Este aí em cima, foi genialmente criado pelo LAERTE, e eu, só pensando nas férias que estão chegando, me sinto voando até mesmo para fora dos limites do retângulo...

* Clica na imagem que ela aumenta

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Retrospectiva das 10 postagens mais visualizadas (que palavra)

Não tendo nada de novo para contar, faço uso do serviço do blog, de verificação de acessos e visualizações de páginas...

25/12/2008, 9 comentários

786 Visualizações de página









14/05/2010, 3 comentários

408 Visualizações de página









14/03/2010, 2 comentários

327 Visualizações de página









22/06/2008, 2 comentários

247 Visualizações de página









06/09/2009, 3 comentários

148 Visualizações de página









07/10/2009, 1 comentário
117 Visualizações de página










30/04/2010, 2 comentários

94 Visualizações de página









01/03/2010, 7 comentários

88 Visualizações de página









18/04/2010, 1 comentário
81 Visualizações de página










12/06/2008, 1 comentário
70 Visualizações de página


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano do Tigre

Hora de decisões,
Névoa também rajada:
Ano do tigre.
(r.couto 01/01/10)

Faz muito tempo, meu primo Raul deu-me de presente o livro “Sendas de Oku”, de Matsuo Bashô, poeta do século XVII, repleto de hai-kais, que não possuem adjetivos (o poeta e a poesia), justamente por ser isso: hai-kais e poeta.
Copiei descaradamente a idéia de um deles, pois mesmo depois de tanto tempo, não me saiu da memória...

domingo, 6 de setembro de 2009

Serviço Militar Obrigatório

Renato, eu fui me "apresentar" no exército um pouco mais tarde, mas as situações descritas por você foram mais ou menos as mesmas. Não pergunto o que há de "real" e o que há de "ficcional" em seu texto (seria um pergunta muito cretina, aliás), mas fico encasquetado: e quantos "Zezinhos" não estão espalhados por esse Brasil afora? Hoje, sem ainda ter atingido o tal "caminho do meio", continuo achando Serviço Militar Obrigatório um "desserviço". Gostei do texto, tem bom ritmo.
@
Estava no ponto de ônibus, dia de se apresentar no quartel, esperava o Zezinho, ambos de 64 e como vários outros garotos com o mesmo destino: Ir ao exército, marinha ou aeronáutica, servir ou não a pátria? Zé apareceu e junto com ele, mas não vindo junto, somente também com a mesma razão de lá estar, um gordinho que morava ali pelas imediações da Barão de Mesquita. Íamos todos ao Rocha, num quartel que ficava mais ou menos uns 40 minutos de ônibus, perguntava-nos por quê, já que havia um quartel perto de nossas casas, onde costumávamos jogar bola todo final de semana. O Zé era um cara de família mais pobre, já carregava dois P: Preto e pobre, seu pai, “seu” José, era o porteiro do prédio do Nélson, que viria a morrer de câncer antes dos 40, depois conto, e como a maioria dos porteiros, pouca instrução, sua mãe era enfermeira, não lembro de qual hospital e moravam nos fundos do prédio, num “puxadinho” de sala e quarto, assim seguia sua vida lutando pra se equilibrar entre os filhos dos moradores do prédio e do prédio colado, por exemplo, o Juninho, filho de pai advogado, morando num apartamento de quatro quartos e dois banheiros, um grande amigo e a turma das proximidades, eu, que mesmo que morando num apartamento pequeno, quarto e sala, mas tinha inegavelmente melhores perspectivas, pois sabemos o que a sociedade (não me tiro desta não, tenho também a minha parcela de culpa) faz com os negros, especialmente os menos favorecidos em renda e cultura. Em nossos papos pré-alistamento ele ainda era indeciso quanto à caserna ou não, pois ao mesmo tempo em que sonhar não custa nada e nessa época todos sonhávamos com a música ou o futebol, a realidade já batia a porta, e um emprego não iria nada mal, só ele sabia a cobrança que já havia em casa. O gordinho no papo do ônibus, nos disse que era doido pra servir o exército, que estava malhando há seis meses e havia emagrecido 12 quilos para conseguir seu objetivo, assim é a vida, enquanto eu, modestamente atlético, não por força de vontade, mas por força da genética, estava doido pra escapar da roupa verde oliva, nessa fase já havia começado a ler “O Capital” e apesar de não entender porra nenhuma, já falava de “mais valia” com uma intimidade de compadre. Quando digo que comecei a ler, é somente isso comecei, pois nunca me animei a terminar, mas o importante, é que via os milicos demonizados e os comunas como a redenção social da humanidade, na juventude tendemos a ser assim, ou é isto, ou aquilo, o caminho do meio, o caminho do equilíbrio, só depois de um tempo, só depois de umas porradas. Chegamos cedo e fomos encaminhados a um pátio descoberto, sol a pino, bem melhor que chuva, com certeza, mas um calor de rachar, era início de ano, pleno verão e lá ficamos sentados, do jeito que dava, aquele monte de moleques, vindo dos mais variados lugares, bairros e com certeza uma total diversidade de classe social, dava pra analisar, só pelas roupas e tênis, que nessa época ou eram Kichute, Bamba ou Rainha. Importado só pra quem tinha muita grana, como os “All Star”. Então era Kichute pros fodidos, Bamba pros mais ou menos, Rainha pra quem tinha alguma graninha e os “All Star” pra quem tinha grana de verdade. Sentados ficamos, uma, duas, três e não sei quantas horas, de vez em quando passava um soldado falando uma gracinha, sacaneando quem tinha cabelo grande, quem estava muito arrumadinho, etc. Eu já escolado pelos papos da turma mais velha, já fui de cabelo curto e com uma roupa absolutamente neutra, a idéia era esta, não chamar a atenção de forma alguma, entrar e sair o mais rápido possível e sem traumas. Aos poucos fomos sendo chamados, em ordem alfabética, então me fodi, pois meu nome começa com R, o Zé e o gordinho foram antes e só tive notícias deles depois lá na rua. Na minha vez, minha barriga já roncava, ainda mais que aos 17 anos comemos igual uns cavalos, deviam ser umas duas da tarde, quando meu grupo foi levado para outra sala e ficamos enfileirados. Veio a ordem: Todos tirando a roupa, inclusive a cueca. Na rua avisaram para não olhar para os lados, que seria coisa de viado e mais cuidado ainda para não ficar de pau duro, delito gravíssimo. Não sabia ainda o que era ficar pelado na frente dos outros, ainda mais um monte de homens, digo hoje que ficar de pau duro naquela situação seria impossível, mas na ocasião não sabia e como nesta época pra ficar de pau duro bastava uma mulher mostrando parte dos peitos (sem silicone) numa revista, dá pra imaginar o medo de uma ereção involuntária. O médico vinha, um a um, perguntava algumas coisas, sente dor aqui, ali, acolá, mandava a gente levantar o saco, ia anotando numa prancheta, depois veio um enfermeiro com uma placa cheia de letrinhas, para exame de vista, nos pediu para falar a primeira coluna, a terceira e a quinta, nesta apesar de enxergar perfeitamente, falei todas as letras erradas, na esperança de não ser convocado, mas fiquei só na esperança, pois fomos levados para outra sala, aonde conforme íamos entrando, éramos chamados pelo nome e já divididos em dois grupos. Dava pra ver quem ia ficar e quem is sobrar, pois um dos grupos era formado pela turma que usava óculos de grau forte, gordos, baixinhos, mancos, etc. A outra turma se entreolhava e já sentia o coturno apertando os calos, pois no que o grupo estava se formando e eu já entre eles, vieram vários soldados com fita métrica, medindo nossas cabeças, perguntando quanto calçávamos, etc. Ali tremi, pois não queria passar um ano no quartel, além das minhas convicções na época, queria estudar, trabalhar, enfim, começar a ganhar dinheiro. Ao ser questionado sobre o meu grau de instrução, falei que iria prestar vestibular aquele ano, ali fui separado outra vez, para outro grupo, disseram que iria para a escola de oficiais da reserva, CPOR, que já conhecia pelas histórias de meu tio Celso. Para mim que era uma coisa normal, já ter concluído o segundo grau, fiquei surpreso com tantos garotos, ainda na primeira série e tantos outros somente com o primário. Na nova sala, me deram um teste, estilo psicotécnico, teria uma hora para responder, entregar e ir embora, porém teria que voltar dali a três dias. Se me saísse bem na prova, iria para o CPOR, se me desse mal, seria soldado raso. Estariam me esperando. Eu tinha três dias pra arrumar um jeito de não servir o exército. Na rua procurei o Zé, ele havia ficado na mesma situação, feito o teste e voltaria depois, pra saber o resultado, eu naquele mesmo dia, fui atrás do tio Celso, contei a história e ele me disse que conhecia um coronel, do colégio militar, que poderia me dar uma ajuda, deu um telefonema e pediu que eu procurasse o tal coronel, que ele me daria uma carta para ser entregue no dia da apresentação. Feito, procurei o coronel e a carta já estava a minha espera. Viva! Retornei no dia marcado e conforme instruções entreguei a pessoa que “iria bater um papo” comigo, um tipo de entrevista, pois desta vez não houve grande demora, chegando, fui encaminhado a uma sala, com uns bancos, alguns garotos, como eu esperando e fui logo chamado a entrar, ao entrar me identifiquei e antes que pudesse falar alguma coisa, fui cumprimentado, não sei se era um tenente ou um sargento, só sei que ele me cumprimentou pelo teste e disse que eu estava no CPOR. Foi então que comecei a explicar e fui dando logo a carta, falando que teria que trabalhar (a carta dizia o mesmo, confirmando que eu já teria um bom emprego garantido) e já estava matriculado na faculdade (na verdade, ainda esperava o resultado do vestibular), ou seja, eu queria mostrar que o Brasil não precisava se preocupar comigo, que haveria menos um vagabundo no mundo. O militar me olhou, sorriu e disse: Que pena, por que os bons sempre querem sair, só deixando aqui os que não prestam. Você tem certeza? Olha no CPOR você será tenente... Escutei. Era nesta hora a minha função. Depois disse que conhecia um pouco a vida militar, tinha tios oficiais, os admirava, mas que preferia a vida civil, agradeci. Ele fez a sua parte e também escutou, me esticou a mão. Apertamos e parti. Voltaria somente depois de uns quinze dias, para pegar meu certificado de reservista. O gordinho, depois eu soube, não conseguiu servir, quanto ao Zezinho, não se saiu bem na prova do CPOR, foi servir pelo menos perto de casa, no quartel da Polícia do Exército, era um negro forte e risonho, gostava de música, tocava banjo no auge do pagode, tinha inscrito no mesmo “Zezinho Simpatia”, ficou no exército o tempo que deu, de soldado a cabo, de cabo a sargento, só que chega uma hora em que é obrigado a dar baixa, então é que o bicho pegou, pois o que você vai fazer, com quase trinta anos, quando o que aprendeu foi somente à vida da caserna, a vida militar, a vida das armas? É claro que ele tem sua culpa, pois sabia que esse dia chegaria e não se preparou para ele, mas devia ter esperança de viver da vida de armas na vida privada, então são dois caminhos, ou da segurança privada, ou de fomentador da insegurança, a vida do crime. A última notícia que tive do Zé, foi através do Evandro, ele havia sido pego assaltando um táxi.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Pirata's Blues

Jeff Healey Band - Roadhouse Blues, live 1989

Jens e Halem, respondo breve as questões econômicas, pois...
Perdi-me, confesso. Após o post do Pirata me inundando de BLUES (e rádio idem), fiquei horas e horas vagando pelo Youtube, vendo vários vídeos de blues e lembrando de mim mesmo.
Lembrando de menino quase imberbe, percorrendo os sebos de vinil do centro do Rio atrás de artistas nunca (ou pouquíssimos) falados por estas bandas. Maravilhado ao escutar e conhecer George Thorogood cantado o clássico one Bourbon, one Scotch, one Beer de John Lee Hooker e tempos depois confirmar toda a ferocidade na música tema do filme Terminator 2, "Bad To The Bone". A guitarra de Thorogood tem mais pancada que o exterminador do Arnoldão.
Alucinado ao som de Stevie Ray Vaughan , tocando (?) o som hiper-soul (vale o hífem?) de Stevie Wonder - Supersticion.
Subindo o Morro da Urca, noites cariocas, para ver o Blindman Jeff Healey (o cara tocando aí em cima, se você clicar...), de quem tinha ficado chapado certa vez com o som, ao ver o filme Road House ( o cara é cego e toca sentado, com a guitarra deitada no colo...), uma porcaria ( o filme, diga-se), mas quando jovem adorei, não por causa do Patrick Swayze, claro, mas por conta da história, onde ele encarnava um professor de filosofia, magro e franzino, mas muito versado em artes marciais, além de dar uma comida espetacular na mocinha, em pé, que confesso, repeti, quando tinha pernas fortes, com várias namoradas.

Continuei lembrando de mim, quando meu finado violão pedia "piedade aos caretas e covardes" e eu queria "cantar como o pastor com o bumbo na praça..."

No meu mundo havia mais roqueiros que economistas, mas foram estes últimos que finalmente, após tanta andança, me ajudaram a compreender (tentar) este mundo sem deus.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Reencontro

Jogávamos bola na esquina da Silva Telles com Barão de Mesquita, eu, Zezinho e Roberto, foram meus primeiros amigos na nova rua, a rua Silva Telles, eles moravam perto, na Barão, mas tinha uma turma de pelada boa nesta esquina, nesta época ainda não jogávamos salão no quartel da PM. O Marquinho ainda era magro e nem sonhava em me dar o calote de duas garrafas de whisky, tempos depois no restaurante. O Roberto era o melhor amigo do Zé, nesta época, talvez por serem dois negros nos meio de um bando de garotos brancos, ainda não o chamávamos de Negadão, algo derivado de Negão, provavelmente.
Nada se falava, ou se discutia, era um formar times e jogar o dia todo, parando somente para a passagem dos carros ou de uma senhora mais idosa. Estava com meus onze anos e havia me distanciado (apesar de morar na rua ao lado) do Evandro e do Afonso, pois com nossa diferença de idade, nesta época eles estavam com treze e quatorze, ou seja, enquanto eles começavam a se acabar na punheta e pensar 24 horas em mulher (até sonhando e acordando esporrado), eu só queria jogar bola.
Passados uns três anos, onde solitário em casa, devorei todos os livros e enciclopédias, andando de bicicleta, dando a famosa volta ao quarteirão, vi um bando de garotos jogando futebol de salão na quadra da igreja dos Mórmons, reconheci imediatamente o Evandro e o Zé, entrei pelo portão lateral da igreja, que dava acesso direto à quadra e também vi o Afonso, no gol, um tremendo talento, o cara que eu mais vi jogar bola, excluindo uns poucos craques que eu vi no Maracanã.
Quando mudamos de São Cristóvão para Tijuca, meu primeiro amigo foi o Evandro, morava numa vila em frente ao meu prédio, tinha também o Luiz Henrique, que morava na casa ao lado. É engraçado quando somos crianças e brincamos em determinado lugar, no caso a vila do Evandro, achava um espaço enorme, anos depois, quando fui até lá, me surpreendi com a diminuta dimensão do local, aos olhos de uma criança o pequeno se torna grande e quando adultos devemos fazer o contrário, onde muitas vezes devemos transformar o grande em pequeno, é uma forma de enfrentar os problemas e também amansar o ego.
Fui recebido com grande festa pelos três e participei logo de uma partida, entrando no time de fora, não sei se ganhei ou perdi, não importa, foram logo me avisando que no dia seguinte teria também pelada no quartel da PM, mas que era uma pelada “mais dura”, onde também jogava a turma mais velha. Neste dia me apresentaram o Caé, seu irmão Napoleão, Massuda, que eu conhecia de vista da escola Affonso Penna e o Juninho.
Com este reencontro do Evandro e novas amizades, passei a ficar direto jogando conversa no bueiro, em frente ao prédio do Juninho, nosso “point”, depois viria a ser o botequim, mas por enquanto nos contentávamos em ir ao mercado, comprar uma garrafa de vodka (onde trocávamos o preço pela de cachaça, mais barata, nessa época ainda não havia os códigos de barra, nem os leitores óticos nos caixas, bastando passar com o produto pelo caixa) e uma de Coca-Cola. O Juninho subia, pegava uma cambuca de gelo e estava feita a festa.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Mensagem de Ano Novo

Sempre, ou melhor, desde que me entendo por gente, gosto de histórias em quadrinhos, cartuns e semelhantes. Tendo inclusive, uma vasta seleção, com antigos Fradins, Balão, Luis Gê, a imprensa nanica dos anos 80, Mosca, Roleta, Ovelha Negra, um velho Pasquim que publicou um desenho meu (eu tinha que contar!), Nicoliélo, livros como Antologia Brasileira de Humor I e II, com vários feras nacionais entre outras raridades. Vivo me prometendo que irei scanear (que palavra) alguma coisa e colocar na internet, mas aí vem o direito autoral e me assombra. Mas este aí abaixo, foi postado pelo Alan Sieber, em seu genial blog (22/12) e imediatamente virou minha mensagem de Feliz Ano Novo ! Todo mundo já deve saber, mas não custa repetir, quem não conseguir ler, clica no desenho que ele aumenta, ou então vai lá no blog do Alan...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O mendigo 2

Ao meu grande amigo Juninho, passei um email, relatando o meu "encontro" com a figura do post abaixo e perguntei se ele tinha notícias, ao que ele me respondeu e tomo a liberdade de amigo de transcrever:
"Ele teve aqui na área semana passada conversando com o Liberal..Ele tá maluco e cada dia que passa mais pirado !!!! Deve estar passando fome e mendigando mesmo...Que pena...Outro dia apareceu aqui na área e fcou conversando com meu irmão, pediu dinheiro e parecia que estava cheirado e bêbado...Ficou rebolando no meio da rua...Lamentável...Patético...Tá cada vez mais magro e raquítico...Pobre Big. Apareça pra gente conversar. Abraços. Germano "

domingo, 12 de outubro de 2008

Recife and Lenine



Lá pelos anos 80, fui passar um mês de férias na capital de Pernambuco, por convite de meu amigo Caé, que na época vivia na cidade, graças ao seu início de carreira futebolística, onde jogava no Santa Cruz. Coincidentemente, calharam minhas férias bancárias com o carnaval e imagine, se carnaval é bom em qualquer lugar (menos no hospital e no presídio), pense como será em Recife...
Lá além do que já esperava: Trios, frevo, birita, alguns alucinógenos e muitas mulheres, pude presenciar alguns shows sensacionais, vide que ao passar um mês em Recife, cheguei antes do carnaval e fui embora um pouco depois. Por lá vi Geraldo Azevedo e seu Dia Branco, Alceu Valença e seu Cavalo Doido e um desconhecido para mim, na época: Lenine.
De lá trouxe a camaradagem do futebol, com peladas sensacionais com a turma do Sport e do Santa em plena praia de Boa Viagem, devorei deliciosas “mão-de-vaca”, regada a muita cachaça de Vitória do Santo Antão, tive a hospitalidade de Dona Amara, mãe do amigo Caé e sua (e) terna paciência com meus porres e seus deliciosos cuscus e outros quitutes de lanche e café da manhã...Putz! Tanta coisa boa.
Mas a razão do post é falar do moço que canta aí em cima, pois ao ver este vídeo no Youtube, me fez lembrar disso tudo e mais, lembrar que o vi, ainda jovem, fazendo um show na cidade natal e pensar: Com tanta bosta tocando lá no Rio, como esse cara ainda não explodiu por lá? Esse cara é bom demais...
Talvez o motivo, é que no ido dos 80, a rádio estava massificada demais pelo tal de “rock Brasil” e Lenine já fazia uma coisa mais à frente, pegava uma levada também rock, mas com uma sonoridade b-r-a-s-i-l-e-i-ra, além de melodias e arranjos sofisticados demais pra época, extremamente pobre nesse quesito. Em Recife também deixei um grande amor, ainda falo mais dessa viagem...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Henfil

Ainda guardo em algum lugar do armário, minha coleção de "Fradins", não me faltando a memória, completíssima. Já pensei em vende-la, mas vi que não tinha preço. Foi colecionada comprando exemplares em banca, sendo que os primeiros números, que eu não tinha, foram garimpados em saudosas livrarias (por exemplo: a livraria Muro, da praça General Osório em Ipanema), que vendiam quadrinhos, mas a miúde, vendiam também (as únicas!) revistas da então "imprensa nanica", da década de oitenta: Mosca, Balão, Ovelha Negra, Roleta, Boca...
Nesta época, Henfil já era um ícone. Esta charge foi pescada na internet, de lá pra cá, nada mudou...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os normais (nem tanto) da Barão de Mesquita

Numa recente postagem, onde falei de figuras doidas de minha juventude, alguns doces outros nem tanto, a amiga Dora (http://pretensoscoloquios.zip.net/) escreveu: "Cada "tipo" passou pela sua infância e adolescência! E o curioso é que têm muito em comum: a bebida, a malandragem, o gosto pelas "ervas"...". Fiquei eu aqui, encafifado: Será que só conheci doido? Então relembro aqui, para ser justo, também sete figuras, um pouco mais "normais" da Rua Barão de Mesquita. É claro, que normalidade, depende do ponto de vista de cada um:

Nélson: Teria que falar primeiro do Nelson, não por ele ter sido um bom amigo, mas por ser desta lista, o único que já morreu. Nunca fumou (nem do careta), bebia comportadamente, não participando de nossos porres, à tardinha, a base de Coca-Cola e cachaça, o popular sambinha e sempre mostrou-se um cara muito equilibrado. Foi quem me mostrou o primeiro disco do James Taylor e enquanto a maioria era Beatlemaniaca, nós dois éramos fãs do Bob Dylan. Formou-se em engenharia e depois arquitetura (ou vice-versa) e após aquele período bravo, na busca do primeiro emprego, encontrou-se na área financeira de uma multinacional, chegando rapidamente a diretor, migrando (à peso de ouro) logo após para outra. Casou, dois filhos e realizava alguns sonhos que o dinheiro pode comprar. Mas a genética, implacável, que havia levado sua mãe ainda jovem, através de um câncer (acho que no pâncreas), fez o mesmo com meu amigo...Antes dos trinta e cinco...

Juninho: Praticamente foi quem me ensinou a tocar violão. Ouvido privilegiado, enquanto eu sofria com as cifras, ao J. bastava escutar a melodia e tirar a mesma das cordas. Me apresentou o disco "O Último Concerto de Rock", onde ouvi pela primeira vez Neil Young (foto) cantando Helpless (http://www.youtube.com/watch?v=FxGcAm0EkTU) e eu nunca mais fui o mesmo. Como hoje (ainda), é um dos meus melhores amigos, não posso falar mais dele, senão falaria mal...

Portuga: Mesmo depois, já adulto, não conheci uma pessoa que gostasse tanto de dinheiro. Enquanto a turma, na maioria, falava das meninas, futebol e cerveja, o Portuga já falava de Bolsa de Valores, concurso público e seu sonho de trabalhar na Petrobrás. Nos rachas, nas mesas dos bares, ele era sempre o último a "casar" algum, na expectativa de levar a melhor. A última vez que o encontrei, ele estava na estatal. Filho de professora, sempre estudou muito, determinação é isso aí...

Pitinini: Aos quinze anos, já tinha dois metros de altura, o que causava um certo desconforto. Também filho de professora (assim como eu e o Portuga), sentia-se obrigado a ser CDF e sentar nos primeiros bancos escolares (e eu nos últimos), porém, por causa da altura, era sempre colocado para trás. Também por causa da altura, foi segurança do metrô, seu primeiro emprego e sempre me passou ser um cara extremamente correto, digo isso, pois na época em que a loucura se instalou na rua, ele se afastou e foi cuidar (sabiamente) da sua vida. Volta e meia o encontro, hoje ele é sócio de uma creche. Os pais e mães podem ficar tranqüilos...

Diabo Loiro: Sempre foi o mais forte da turma, pois fazia musculação desde os treze anos. Forte, mas não covarde, nunca o vi meter a mão em alguém sem uma boa justificativa. Pelo seu tamanho corpóreo e cabeleira loira, chamava a atenção, além de ser um bagunceiro de carteirinha (daí o apelido), fato este que nos aproximou, além de sermos bons alunos e não CDF's, o que (acho) irritava a maioria...O reencontrei na faculdade, ele estudando Direito e eu Economia, onde às vezes, bebíamos uns chopes e jogávamos conversa fora, relembrando os tempos de escola. Hoje é Delegado de Polícia e quando lhe perguntei a última vez, se não tinha saudade da época que era fortão, ele me respondeu: "Hoje eu não brigo mais, só uso o dedo..."

Careca: Ganhou o apelido, ao passar para a escola técnica e ganhar o inexorável trote. Casou com a primeira namorada "séria" e dos amigos somente ele e Evandro ainda estão casados com as primeiras mulheres. As duas merecem um troféu. Careca hoje é professor do estado e da mesma escola técnica, onde pode ver outros "carecas" e lembrar de si mesmo...

Wilver: Era da turma um pouco mais velha, aquela dos "malucos", mas nunca o foi. Somente começou a beber depois de velho, quando deu uma relaxada (acho). Antes a vida devia lhe cobrar muito, pois eram somente ele, a mãe e a irmã. Um por todos e todos por um. Guri, entregava remédio de bicicleta, às vezes também lá em casa, quando minha mãe dava uma "caixinha" e falava: "O Wilver é muito responsável...". Foi tesoureiro de banco, motorista de taxi e hoje acho que se encontrou como psicólogo, onde desenvolve um belo trabalho junto à menores de rua...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Figuras da Rua Barão de Mesquita

"...Neste passeio sentimental lembrei de algumas figuras da geração anterior à minha, que pontificavam quando eu ainda não era um delinqüente juvenil, apenas um gurizinho bonitinho e fofinho que jogava bola, pescava nos arroios, assassinava passarinhos a fundaços e já gostava de apedrejar as casas da vizinhança. Na época, eles eram os muito-loucos..."

Naquele prazer de ir de blog em blog, deparei com este: TOCA DO JENS (http://tocadojens.zip.net/ em 21/07/08), de fino trato e escrita, onde ele retratou algumas personas de sua juventude. Inevitável, após ler o post (parte transcrita acima, entre aspas), não lembrar também de algumas figuras da minha...

BRECHINHA: Houve uma batida de carros bem na frente do bar, nada de mais, um ligeiro encostar de pára-choques, mas deu aquele bafafá, formando aquela rodinha, doida pra ver uma briga. Enquanto os motoristas discutiam, Brechinha sorrateiramente entrou em um dos carros, ligou a ignição e partiu em disparada, cantando pneus. O dono do carro ficou louco, começou a gritar, desesperado, assim a pseudo-briga acabou imediatamente. Logo depois ele aparece, galhofeiro, contando para a rapaziada que havia abandonado o carro a dois quarteirões dali. Ele desmontou sua bicicleta e montou um monociclo, tipo aqueles de palhaço de circo, com o qual ficava indo e vindo, se equilibrando numa roda só. Aos dezoito, servindo o exército, fez parte dos motoqueiros da PE, fazendo acrobacias na moto, ficando em pé, plantando bananeira e outras loucuras. Em torno dos vinte e cinco, voltando de uma festa, muito louco, com sua Yamaha RD350, famosa no mundo todo como a moto assassina, bateu em cheio num carro que havia avançado o sinal. Fui ao seu enterro, depois pedimos ao dono do bar que a rapaziada freqüentava, que mudasse o nome para "Brechinha’s Bar", pedido atendido e assim ficou até o Japonês, o dono, também morrer e sua esposa vender...

MACARRÃO: Morreu ao bater com a cabeça no mictório (aquele lugar onde os homens fazem xixi em pé). Chegava no bar já se mordendo, pedia um cachorro magro (cachaça com limão, sem açúcar) e falava coisa com coisa. Volta e meia cantarolava o mesmo blues: " O império do visgo, tchum,tchum,tchum, passou por aqui, tchum,tchum,tchum". De sua autoria, claro, mas a letra não saía disso. Eu nunca soube o que é o visgo... O conheci "normal", caixa do extinto banco Nacional. Quando eu tinha quinze, fui ao seu casamento, ele deveria estar com uns vinte e poucos. No enterro do Brechinha, ele ainda não estava pirado, acho que o Macarrão foi levado pelo pó...

FRANK: A família havia vindo do Acre, ele baixinho, cara de índio, totalmente versado na arte de apertar um bagulho, seus dedos pareciam automáticos. A turma "dos mais velhos", da qual eu, moleque, não fazia parte, ia para sua casa escutar George Harrisson cantar My Sweet Lord e Dylan soprar seu Hurricane. Ainda jovem voltou para o Acre, para tratamento, ninguém mais soube dele...

ALCATRA: Motoqueiro, tinha uma CB400, sempre de jaqueta de couro, era um pequeno comerciante local, revendendo pó e fumo na sua casa. Filho de um coronel da reserva, foi solto pelo menos duas vezes, por conta do pai. Maluco ao extremo, após entrar com a moto pela janela de uma boate (sim, ele conseguiu) foi expulso dos Hell’s Angel’s (sim, ele conseguiu também), que passaram a considera-lo elemento de alto risco, o famoso chave de cadeia. Pelo que sei, ainda continua micro-empresário...

CAPILÉ: Lembrava o Visconde de Sabugosa, bêbado a maioria do tempo, atravessa a rua, para o bar do outro lado, sem olhar, sem pensar e nunca foi atropelado. Certa vez, Fred, um amigo que havia alugado um apartamento nas imediações, pediu ao Capilé que este pintasse o sala e quarto. Fred ao chegar do trabalho, encontra a porta do apartamento escancarada, achou que havia sido roubado, quando entra, vê na sala, Capilé dormindo pelado e abraçado a uma mendiga que dormia todas as noites em baixo da marquise...Faz pouco tempo, o vi, relativamente sóbrio, os pés inchados, mas ainda bebendo...

THE BOY: Bem mais velho que todos nós, tinha a fama de faixa-preta de caratê, bom de porrada, embora eu nunca o tenha visto brigar. Às vezes penso: Será que hoje, é essa fama que tenho, com a molecada aqui da rua? Boa pinta, vivia nas rodas de samba... Há muito tempo atrás, o vi no Jornal Nacional, cobrindo o rosto, outro dia soube que tentava trocar um cheque nas imediações...

AROLDO: Tenho uma terna lembrança de Aroldo, baixinho, folgado, mas de um coração gigante. Foi quem me levou a primeira vez numa boate, daquelas em que as moças dançam quase como vieram ao mundo e ficam passeando entre os clientes, pedindo que lhe paguem uma bebida. Eu, duro igual uma porta, ficava na aba dele, na base do gin-tônica e olhando maravilhado as "meninas". Quando íamos jogar bola, de manhã cedinho, enquanto a maioria ainda estava com gosto de pão com manteiga na boca, Aroldo já tomava um Sprite com 51, no botequim, nosso ponto de encontro. Hoje está irremediavelmente perdido, não bebe mais, não conversa mais, mal sai de casa...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

1986

Pedaço de sol
Pedaço de luz da manhã
Vem toda sã
Vem dançar sobre o meu coração
O sexo não será o mesmo sem nós

Você me trouxe até aqui
e agora me deixa só
(apenas com uns poemas tolos trancados na gaveta)

Me esquece
e
vai.

R. Couto