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sábado, 4 de julho de 2015

Celso Furtado: O Longo Amanhecer



"Eu me pergunto:quem manda neste país? Por que se conservam estas taxas de juros de fantasia, que sangram o país, deixando pequena margem para o crescimento? É difícil dirigir um país como este."
Indagações de Celso Furtado, no documentário "O longo amanhecer", cinebiografia do mesmo, dirigida por José Mariani.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Grande Demais para Quebrar (com legendas)


Ben Bernanke, o economista que presidia o Federal Reserve, Fed, o Banco Central americano, na época em que a ação se passa, e preside até hoje, diz lá pelas tantas, no filme, que passou toda a sua vida acadêmica tentando estudar e compreender os fatores que levaram à grande crise financeira iniciada em 1929, a origem da Grande Depressão, a maior crise da história do capitalismo.
Grande Demais Para Quebrar – uma beleza de produção, com um elenco cheio de grandes atores – tem a ousadia de retratar como se deu a grande crise financeira de 2008, aquela cujos efeitos perduram até hoje, e que só encontra paralelo com a de 1929.
É uma ousadia e tanto...

Link com o filme completo e com legendas: https://archive.org/details/Grande.Demais.Para.Quebrar

sábado, 5 de outubro de 2013

Rosa Luxemburgo


O cinema pode ser realmente a sétima arte. Porém, por que filmes como o filme acima não passam no Brasil? Escrevo porque poucos minutos deste valem por 1000 “Missões Impossíveis”. O discurso de Rosa (veja o discurso em 57:22) tem mais ação do que o agente Ethan Hunt pulando de um prédio em chamas.

Durante muito tempo, o diretor alemão Rainer Werner Fassbinder planejou dirigir um filme sobre a vida de Rosa Luxemburgo. Em 1982, quando ele morreu, Margarethe von Trotta completou, com Die Geduld der Rosa Luxemburg sendo lançado em 1986. Passou por aqui? Está nas locadoras? Ou como gosto de escrever: A quem interessa tanta alienação? 

Tomei conhecimento do trabalho de Rosa, somente por citação en passant da mesma na faculdade, como normalmente ocorre com autores que se aprofundam nas obras de Marx. Coube ao meu instinto curioso, procurar e achar o excelente “A Acumulação do Capital”, que defende a tese de que a necessidade de expansão permanente do capitalismo é a causa básica do imperialismo – a submissão econômica dos países de economia atrasada aos altamente industrializados. 

Rosa faz uma exposição histórica do problema de reprodução e acumulação do capital, tentando inclusive resolver algumas das colocações que não foram aprofundadas por Marx (questões do Livro II de O Capital – parece que aquilo que foi publicado após sua morte ficou um tanto incompleto, sem o parecer ou conclusão final do próprio Marx).

Mas o que (também) admiro nesta mulher, é sua crítica ao dogmatismo, particularmente nos primórdios da Revolução Russa, quando disse, referindo-se à ditadura estabelecida pelos bolcheviques (apesar do seu apoio a mesma), em 1917: “Liberdade apenas para os que apóiam o governo, apenas para os membros do partido, não importando quantos sejam, não é absolutamente liberdade. Liberdade é sempre e exclusivamente a liberdade de quem diverge do nosso modo de pensar”.


Rosa Luxemburgo defendeu a liberdade entre 1870 e 1919, quando foi fuzilada por oficiais monarquistas alemães.
 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Utopia e Barbárie



O direito de sonhar, que é o pai e a mãe de todos os direitos... (Eduardo Galeano)


Ontem, zapeando (se a palavra é esta, que palavra! Como diria Hélio Fernandes) com o controle remoto, deparei com esta poesia em forma de luz e som: Utopia e Barbárie. Ainda há vida na nossa televisão, além dos “plim-plim” e “quem quer dinheiro?”.
Bem, eu também quero, mas a vida não é somente o vil metal, também, como cantaram os Titãs, “diversão e arte”, pois não devemos “vivê-la pela metade”.
O filme é resultado de um trabalho de quase 20 anos do cineasta Sílvio Tendler que partindo da II Guerra Mundial, fez uma revisão nos eventos políticos e econômicos desde a metade do século XX. O filme percorre ao todo 15 países: França, Itália, Espanha, Canadá, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Palestina, Argentina, Chile, México, Uruguai, Venezuela e Brasil. Em cada um desses lugares, Tendler documentou os protagonistas e testemunhas da História, apresentando-os de forma apartidária, trafegando por alguns dos episódios mais polêmicos do último século, como as bombas de Hiroshima e Nagasaki, o Holocausto, a Revolução de Outubro, o ano de 1968 no mundo (Brasil, França, Chile, Argentina, Uruguai, dentre outros), e a nossa velha conhecida Operação Condor.
Enfim, descreve o desmonte das utopias da geração sonhadora de 1968 e analisa a criação de (possíveis?) novas utopias neste mundo globalizado.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Crises do Capitalismo (David Harvey) RSAnimate - legendado



O “risco sistêmico”, tão apregoado nas cartilhas dos economistas, Harvey traduz em linguagem marxista como “contradições internas da acumulação do capital”...
 



domingo, 13 de janeiro de 2013

História da Matemática


Em 2008, fiz um comentário o sítio do Fausto Wolff, editado pelo Pirata, também conhecido como Marcelo Carota:
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Como querer que o povo entenda de macroenonomia, se nem entende de microeconomia, ou seja, olhar um pouco para o próprio bolso, a famosa "Teoria do Consumidor", isto sem levar em conta, que a teoria de Nash (aquele abilolado do filme Uma Mente Brilhante ) tem pouco mais de 50 anos...Ou seja faz pouco que aprendemos a cruzar oferta com demanda...O populacho só quer saber de quanto pode sair do seu bolso, sem nem imaginar o quanto o juros F todo mundo...Vejo (leio) muita bobagem, quanta confusão entre conceitos financeiros, contábeis e econômicos, tudo misturado num balaio só, enquanto os doutores vomitam esta "pseudo-economia" goela abaixo de quem nem sabe matemática direito.
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Este me incentivou ao blog e primeiras postagens , quando passados estes 5 aninhos, ainda penso na relação que existe entre o conhecimento matemático, o poder de quem detém este conhecimento e a ignorância em geral do populacho.
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Os numerais arábicos chegaram à Europa através das mãos de Leonardo di Pisa e/ou Fibonacci. Inicialmente, eles foram olhados com muita desconfiança porque, sendo tão fáceis de usar, poderiam ser aplicados em fraudes de maneira igualmente fácil, ou melhor, as autoridades também temiam que sua simplicidade desvelaria a fachada assustadora da Matemática para as massas e minaria desta forma o poder da elite.
Ou seja fica claro que desde a Idade Média já se usava o conhecimento e a educação como instrumentos de opressão...
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Os vídeos abaixo, são daqueles raros que passam na TV (paga off course), não alienantes, que junto com o livro de Malba Tahan: “O homem que calculava”( grátis em *pdf ), são auxílios luxuosos para a molecada crescer fugindo da alienação. Vá lá e descubra o que são os juros compostos...

História da Matemática: Parte 1

História da Matemática: Parte 2

domingo, 1 de julho de 2012

Algo sobre Filmes e Crises

Na cena final do filme Exterminador do Futuro, o primeiro, no qual Arnoldão explodiu para a fama após Conan o Bárbaro, um menino mexicano fala para a mocinha Sarah Connor: “Uma tempestade se aproxima...”
No Titanic, quando este começou a afundar todos correram para a popa, mas acabaram também afundando, só que por último.
O sistema econômico mundial, a exemplo do Titanic, mostra sinais de que está fazendo água pela proa com a ameaça de estagflação da economia européia. Os investidores correm para as commodities no mercado futuro (dentre elas o petróleo) e para nichos de certa estabilidade, como se verifica hoje no Brasil, para salvaguarda de seus papeis, ou como sempre, o “porto seguro” da moeda americana.
Os mecanismos de troca entre os componentes do sistema têm como base a existência de uma bolha financeira mantida sob pressão ao tempo em que os mercados em expansão proporcionam lucros aos investidores que os reinjetam na bolha. Quando ocorrer retração ao invés de crescimento, a pressão desaparecerá, os mecanismos de troca espatifarão e todo o sistema virá abaixo. Bom lembrar que, como aconteceu no famoso naufrágio, não haverá bote para todos e os que correram para a popa, também acabaram afundando, só que por último.
E por que há retração? Quando o crescimento do endividamento for superior ao crescimento da renda. É notório que o crescimento mundial, tem se dado à custa de crédito e mais crédito, não que isso seja ruim em si, o papel dos bancos, intermediando poupadores e tomadores já foi por demais explorado e explicado, mas a alavancagem dos mesmos, é que necessita de maior observação, no mínimo, e principalmente o papel desempenhado pelos derivativos, não como instrumento de hedge, mas sim como principais atores no drama das especulações.
Olhando para nosso umbigo: Nosso país vem de longa data se sustentando em parte (ou sendo sustentado), a base de rentistas e especuladores internacionais (e nacionais) que apostam em todo tipo de carry trade, na prática, é a situação de captar em países com taxas de juros baixas (por exemplo, o Japão) e aplicar em moedas (ou fundos) de países com taxas de juros altas (nosso caso). Com a tentativa de mudança de paradigma em relação as nossas taxas internas, são vários os cenários que podem ser pintados, desde os positivos, como a obrigatoriedade de investimentos em produção, a fim de manter as atuais taxas de retorno, como as sombrias, com fuga de capitais, quando as empresas (e pessoas) começam a se preocupar mais com o retorno do seu capital do que com o retorno sobre o mesmo (capital).
Enquadramo-nos dentro dos emergentes e desde a década de noventa, são os que mais têm contribuído para o crescimento global, porém até mesmo a China, o principal motor, já mostra se não sinais de cansaço, sinais de que necessita ser realimentado, ou seja, seu enorme consumo interno não será suficiente frente ao seu enorme poder de produção e conseqüentemente ofertar. Assim, caímos na velha lei, de que necessitamos de demanda, para atender a oferta e no caso do Brasil não será diferente, quando talvez o processo de desvalorização de nossa moeda não faça frente a nossa necessidade de exportar, similar a chinesa, que controla o Yuan com pulso firme.
São muitas variáveis, sejam estruturais ou conjunturais que precisamos, tanto aceitar como enfrentar e no fim das contas, resolver, não buscar mais vantagens comparativas (ou se preferir o termo de Prebish, cair nas desvantagens reiterativas), mas sim buscar vantagens competitivas, segundo Belluzo em artigo no Le Monde Brasil de 03/06/2012:

(...) a construção de vantagens competitivas e dinâmicas nas economias em desenvolvimento exige capacidade para sustentar taxas elevadas de investimento – tanto público quanto privado – e, ao mesmo tempo, competência para contornar as restrições de balanço de pagamentos. Isso requer a manutenção de saldos em conta corrente, reservas elevadas e equilíbrio entre a gestão fiscal e a política monetária.

O início do processo de Globalização remonta há muito tempo atrás, porém, dois marcos considero de suma importância, tanto a organização da haute finance (termo do economista Karl Polanyi no livro “A grande transformação: As origens da nossa época”) no final do século dezenove e na ótica de George Soros, o mega especulador em seu bom livro “A crise do capitalismo: As ameaças aos valores democráticos – As soluções para o capitalismo global”: a desintegração da União Soviética, criando um vazio no poder do estado e o desequilíbrio no jogo de poder mundial. A ex-URSS acabou sendo o primeiro estado/nação disponível para os tentáculos do capital internacional, após os anos das colonizações, quando os países desenvolvidos literalmente guerrearam por causa de territórios a serem explorados, vide a Primeira Grande Guerra.
Com o fim dos países comunistas na Europa (principalmente: Alemanha Oriental e URSS) foi possível discernir a presença de um novo sistema econômico global, onde não tínhamos mais apenas o livre comércio de bens e serviços, mas também o livre movimento de capitais.
Este livre trânsito de capitais, com sua origem apontada por Polayni e a movimentação por Soros, apesar de sua natureza não-territorial, o sistema possui efetivamente, um centro e uma periferia.
Assim, cabe uma pergunta reflexiva: quem é o responsável pelo sistema financeiro internacional?
Não existe um Estado, apesar da supremacia americana. Existe muita cooperação, principalmente na época de bonança, mas as autoridades financeiras e monetárias, que controlam as regras do jogo, não demonstram tanta boa vontade quando o ciclo muda e principalmente, não existe um banco central regulador mundial, com força comparável as instituições nacionais (de cada país).
As nações se mostram pouco inclinadas em abrir mão da sua soberania, quando dinheiro e crédito estão intimamente relacionados com as questões desta soberania e vantagens competitivas.
Assim, qualquer construção mundial, seja Mercosul, União Européia, G-20, implicará na cessão de parte da soberania de cada Estado em benefício do conjunto. Quem estará disposto a ceder? Estarão os gregos (por exemplo) dispostos a mudar sua configuração tributária para legislação similar a alemã? Ou os alemães pagarão de bom grado o déficit de contas correntes grego, causado pelo anseio da moeda única de dez anos atrás?
Voltemos ao final do exterminador. O filme é muito bom, não canso de revê-lo ou ele não cansa de passar na televisão? Assim como o capitalismo, também é bom ou somos forçados a acreditar? Enfim, é graças ao fluxo constante do capital que adquirimos nosso pão de cada dia, mas se realizarmos uma metáfora deste fluxo, como nosso próprio fluxo sanguíneo, na falta deste morremos e em excesso idem, assim, se os capitalistas estão constantemente (re) produzindo seus excedentes na forma de lucro, naturalmente serão forçados a (re) capitalizar e investir uma parte deste excedente em novas e mais novas expansões. Mas até quando haverão rotas de saída? Não existem novas fronteiras ou países a serem colonizados, mas sim um “todo”, desde que passou a haver maior facilidade para o capital-dinheiro líquido vaguear pelo mundo afora.
Existem fatores por demais complexos, não só no campo econômico, pois envolvem também variáveis culturais e sociais na balança. Porém, a globalização, para o bem ou para o mal, representa a atual face do capitalismo e da democracia, com um difícil divórcio entre o sistema político e econômico.
O dito de que crises não são falhas do sistema (capitalista), mas sim a forma pelo qual ele funciona, cada vez se mostra mais verdadeiro.
A preocupação ecológica com o derretimento das geleiras é válida e necessária, mas voltará à hora de nos preocuparmos (e tão dificilmente nos solidarizarmos) com o derretimento de nossos ativos.
O grande navio não enxergou o iceberg (somente vendo a ponta) e o andróide vilão parecia nunca morrer...


terça-feira, 29 de maio de 2012

Catastroika

O termo "catastroika" foi cunhado pelo acadêmico francês Jacques Rupnik para indicar os efeitos das privatizações sobre a sociedade russa no fim dos anos 1980, porém, a palavra tem um sentido peculiar na Grécia de hoje, governada pela troika FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e UE (União Europeia). Desde junho de 2011 opera no país o "Fundo pelo desenvolvimento da propriedade privada do Estado", que tem o objetivo de privatizar serviços e bens públicos...
Enfim, veja o filme/documentário que trata das privatizações a que a Grécia será submetida no futuro próximo, analisando como o processo de apropriação de instituições e bens públicos por entes privados já se deu em vários países, sempre com o mesmo resultado: milhares de desempregados, empobrecimento social e a criação de novas e poderosas oligarquias...
Não poderia terminar, sem o dito de Heilbroner; “Crise não é uma falha do capitalismo e sim a forma pelo qual ele funciona”.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Levante sua Voz



Captei recentemente no blog do Prof. Toni, rastreei e “acho” que o primeiro a postar foi o Brizola Neto no Tijolaço, em dezembro de 2009, ou seja, faz 2 anos. Vídeo imperdível, que infelizmente apesar de toda minha tentativa de estar antenado, eu confesso: perdi.

Veja de forma didática, como e porquê você recebe tanto lixo naquele retângulo que transmite imagem e som, como também no rádio, jornais e revistas

Vamos a um pouco de "teoria": Em filosofia política, fala-se de alienação para designar a condição do trabalhador que, à semelhança de uma peça de engrenagem, integra a estrutura de uma unidade de produção sem ter nenhum poder de decisão sobre sua própria atividade nem direitos sobre o que produz. Transcendendo o âmbito da produção, a alienação se estende às decisões políticas sobre o destino da sociedade, das quais as grandes massas permanecem alijadas, e mesmo ao âmbito das vontades individuais, orientadas pela publicidade e pelos meios de comunicação de massas.

Por fim, a quem interessa tanta alienação?