sábado, 13 de abril de 2013

Mídia e Consumo (Octavio Ianni)




Desenvolvem-se relações, processos e estruturas dinamizadas pela modernização, em geral traduzida em técnicas sociais de produção e controle. Muito do que se faz e pensa no mundo passa a pautar-se pelo que é, parece ou pode ser moderno. E o que parece ou pode ser moderno, modernizado, modernizável ou modernizante traduz-se necessariamente em prático, pragmático, técnico, instrumental (p. 102-103).

Há sempre alguma influência, mais ou menos decisiva, no modo pelo qual a mídia registra, seleciona, interpreta e difunde o que vai pelo mundo (p. 136).

Uma sociedade capitalista exige uma cultura baseada em imagens. Necessita fornecer quantidades muito grandes de divertimentos a fim de estimular o consumo (...) ocorre à substituição da experiência pela aparência, do fato pelo simulacro, do real pelo virtual, da palavra pela imagem (p.214-215).

[A mídia] se globaliza, junto com a economia e política, a industria cultural e os meios de comunicação, a eletrônica e a informática (...) globalizam-se interesses e objetivos, ideologias e visões do mundo daqueles que detêm meios políticos, econômicos, sociais e culturais (p.216).

IANNI, Octavio. Teorias da globalização, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

domingo, 10 de março de 2013

A águia e a galinha (resenha crítica)





A águia e a galinha 
(resenha crítica do livro de Leonardo Boff)

Inicialmente o autor faz um relato “científico” sobre as águias e seus hábitos. Com relativo espanto descreve o relacionamento sexual da espécie – espanto pela fidelidade e pela não obrigatoriedade do acasalamento visar filhos – quando poderia o ato buscar prazer?
Explica que “o filhote mais velho (...) bica o irmãozinho recém-nascido até matá-lo”, um ato de “crueldade” - porém, poderíamos imputar “crueldade” a um animal, já que o mesmo age por instinto?
Continuando, o autor conta a saga da águia, ainda filhote, ferida e cega, que colocada no meio das galinhas, comporta-se como tal.
O “empalhador”, personagem que realizou tal ato, incomoda-se com a “situação” da águia, sonhando com o dia em que a mesma irá “despertar em si” e “buscar o sol”. Este mesmo sol, que várias vezes é colocado como metáfora de liberdade, renascimento, etc.
Mas quem deseja a “vida”, não é a águia e sim “o empalhador”. Não estaria também o homem buscando o mesmo “sol”, realizando-se através do alheio? Lembrando um pai que busca ser o que não foi através do filho. Não será também a figura do “empalhador” - aquele que imobiliza a vida – representativa deste paradoxo? Não seremos nós mesmos, empalhadores? De nossa própria vida e da vida alheia?
Desde o título, o autor nos apresenta o mote: “uma metáfora da condição humana”, quando segundo este  “todos” seríamos águias, porém, vivendo como galinhas – dado o caráter impositivo do sistema vis-à-vis resignada aceitação do mesmo. Entretanto a alienação não seria tanto imposta, como docilmente aceita, em nossa porção de pão e circo – ta qual o milho jogado no galinheiro?
E se fosse o contrário?
Se formos todos galinhas “sonhando” em sermos águias, quando fisicamente impossível, só conseguiríamos voar em nossas mentes? Afinal, o “tal sistema” (família, educação, trabalho, mídia, etc.) nos educa para sermos águias ou galinhas? E se este mesmo processo tem sucesso (lógico que existem exceções – mas francamente, que é?) seríamos então, uma maioria de qual espécie?
Enfim, Boff nos (de) mostra o quanto temos de águia e galinha dentro de nós, principalmente nos fazendo pensar e tal qual um grifo – o ser mitológico, cabeça de águia e corpo de leão – somos assim, simbióticos humanos, cabeça de galinha e corpo de águia – ou vice-versa – conforme nossa conveniência, dado não termos o atavismo animal, sempre será nossa escolha, sempre dependendo do tamanho do nosso conformismo.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Les crises industrielles en Angleterre:Tugan-Baranovsky



Alguns livros raros de economia são fundamentais para a compreensão de nosso sistema. Raros, pois além de difícil acesso, não foram traduzidos para nosso idioma. Exemplos são “A Treatise on Money” de Keynes, obra anterior ao seu trabalho maior, A Teoria Geral do Juro e da Moeda, mas também interessante por conta de alguns insights não explorados neste último. Porém pior é o caso de Tugan-Baranovsky, que o seminal Les crises industrielles en Angleterre, escrito em 1913, que mesmo em nossas faculdades é abordado quando muito, por aquele professor “esquisito” de idéias um tanto à esquerda...

Mas a internet nos salva, com sites como a American Libraries, disponibilizando o livro para quem tiver um pouquinho de francês e coragem para descobrir algumas verdades...




sábado, 9 de fevereiro de 2013

Crises do Capitalismo (David Harvey) RSAnimate - legendado



O “risco sistêmico”, tão apregoado nas cartilhas dos economistas, Harvey traduz em linguagem marxista como “contradições internas da acumulação do capital”...