quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Reencontro

Jogávamos bola na esquina da Silva Telles com Barão de Mesquita, eu, Zezinho e Roberto, foram meus primeiros amigos na nova rua, a rua Silva Telles, eles moravam perto, na Barão, mas tinha uma turma de pelada boa nesta esquina, nesta época ainda não jogávamos salão no quartel da PM. O Marquinho ainda era magro e nem sonhava em me dar o calote de duas garrafas de whisky, tempos depois no restaurante. O Roberto era o melhor amigo do Zé, nesta época, talvez por serem dois negros nos meio de um bando de garotos brancos, ainda não o chamávamos de Negadão, algo derivado de Negão, provavelmente.
Nada se falava, ou se discutia, era um formar times e jogar o dia todo, parando somente para a passagem dos carros ou de uma senhora mais idosa. Estava com meus onze anos e havia me distanciado (apesar de morar na rua ao lado) do Evandro e do Afonso, pois com nossa diferença de idade, nesta época eles estavam com treze e quatorze, ou seja, enquanto eles começavam a se acabar na punheta e pensar 24 horas em mulher (até sonhando e acordando esporrado), eu só queria jogar bola.
Passados uns três anos, onde solitário em casa, devorei todos os livros e enciclopédias, andando de bicicleta, dando a famosa volta ao quarteirão, vi um bando de garotos jogando futebol de salão na quadra da igreja dos Mórmons, reconheci imediatamente o Evandro e o Zé, entrei pelo portão lateral da igreja, que dava acesso direto à quadra e também vi o Afonso, no gol, um tremendo talento, o cara que eu mais vi jogar bola, excluindo uns poucos craques que eu vi no Maracanã.
Quando mudamos de São Cristóvão para Tijuca, meu primeiro amigo foi o Evandro, morava numa vila em frente ao meu prédio, tinha também o Luiz Henrique, que morava na casa ao lado. É engraçado quando somos crianças e brincamos em determinado lugar, no caso a vila do Evandro, achava um espaço enorme, anos depois, quando fui até lá, me surpreendi com a diminuta dimensão do local, aos olhos de uma criança o pequeno se torna grande e quando adultos devemos fazer o contrário, onde muitas vezes devemos transformar o grande em pequeno, é uma forma de enfrentar os problemas e também amansar o ego.
Fui recebido com grande festa pelos três e participei logo de uma partida, entrando no time de fora, não sei se ganhei ou perdi, não importa, foram logo me avisando que no dia seguinte teria também pelada no quartel da PM, mas que era uma pelada “mais dura”, onde também jogava a turma mais velha. Neste dia me apresentaram o Caé, seu irmão Napoleão, Massuda, que eu conhecia de vista da escola Affonso Penna e o Juninho.
Com este reencontro do Evandro e novas amizades, passei a ficar direto jogando conversa no bueiro, em frente ao prédio do Juninho, nosso “point”, depois viria a ser o botequim, mas por enquanto nos contentávamos em ir ao mercado, comprar uma garrafa de vodka (onde trocávamos o preço pela de cachaça, mais barata, nessa época ainda não havia os códigos de barra, nem os leitores óticos nos caixas, bastando passar com o produto pelo caixa) e uma de Coca-Cola. O Juninho subia, pegava uma cambuca de gelo e estava feita a festa.

3 comentários:

loba disse...

Uia!!! Quase que te pego sem roupa! Foi por um triz!!! rs...
Deixeu ler!

loba disse...

Li! E tou aqui toda excitada com uma idéia que seu texto me deu!!! Me aguarde que tenho um convite procê, viu? rs...
Beijoconas!!!
Ah... goste tanto do poema que já coloquei onde ele deve estar!

Jens disse...

Muito boa esta incursão pelo passado, Renato. Despertou algumas reminiscências de minha parte, não tanto em relação ao futebol como no tocante à vodka (Natasha ou Smirnoff) com gelo e suco de laranja. Na época eu era um bagual em formação dotado de um fígado de aço. Aguardo mais histórias.
Um abraço.