domingo, 12 de agosto de 2012

Celso Blues Boy



 
O câncer, maldito que sempre evolui, como lembrou meu amigo Juninho estes dias, levou nosso amigo Nelson faz tempo e vive rondando minha gentil progenitora. Estes dias passados levou Celso, alcunha Blues Boy, dez anos mais velho do que eu, o que me mete muito medo. Mas ele, nessa última apresentação ao vivo, não se lamentava, apesar do bócio visível, o braço magro e a voz menor do que já era, porém, insistindo em cantar “pra que se lamentar”...
O vi muitas vezes, no Circo Voador, numa viagem a Valença (interior do Estado), no Morro da Urca – Noites Cariocas, outra em Búzios num festival de blues, sempre cantando junto, mesmo quando eu já não estava mais “Fumando na Escuridão” ou experimentando o “Brilho da Noite”
Ainda tenho guardado um LP: “Som na Guitarra”, lançado em 1984, com a clássica: “Aumenta Que Isso Aí É Rock AndRoll”, o qual nunca mais escutei depois que quebrou meu tocador de vinil, mas guardei a mensagem. Clique nos links e guarde você também.

sábado, 7 de julho de 2012

Pirâmide do Sistema Capitalista

No blog ECONOMIDIANDO, o amigo Frederico (re) publicou um cartum em 04/07 que achei excelente e resolvi procurar a fonte, descobrindo que se trata de um remake de um desenho de 1911, disponível na Wikipedia, com o título de Pirâmide do Sistema Capitalista, um  pôster da Industrial Workers of the World (1911).


domingo, 1 de julho de 2012

Algo sobre Filmes e Crises

Na cena final do filme Exterminador do Futuro, o primeiro, no qual Arnoldão explodiu para a fama após Conan o Bárbaro, um menino mexicano fala para a mocinha Sarah Connor: “Uma tempestade se aproxima...”
No Titanic, quando este começou a afundar todos correram para a popa, mas acabaram também afundando, só que por último.
O sistema econômico mundial, a exemplo do Titanic, mostra sinais de que está fazendo água pela proa com a ameaça de estagflação da economia européia. Os investidores correm para as commodities no mercado futuro (dentre elas o petróleo) e para nichos de certa estabilidade, como se verifica hoje no Brasil, para salvaguarda de seus papeis, ou como sempre, o “porto seguro” da moeda americana.
Os mecanismos de troca entre os componentes do sistema têm como base a existência de uma bolha financeira mantida sob pressão ao tempo em que os mercados em expansão proporcionam lucros aos investidores que os reinjetam na bolha. Quando ocorrer retração ao invés de crescimento, a pressão desaparecerá, os mecanismos de troca espatifarão e todo o sistema virá abaixo. Bom lembrar que, como aconteceu no famoso naufrágio, não haverá bote para todos e os que correram para a popa, também acabaram afundando, só que por último.
E por que há retração? Quando o crescimento do endividamento for superior ao crescimento da renda. É notório que o crescimento mundial, tem se dado à custa de crédito e mais crédito, não que isso seja ruim em si, o papel dos bancos, intermediando poupadores e tomadores já foi por demais explorado e explicado, mas a alavancagem dos mesmos, é que necessita de maior observação, no mínimo, e principalmente o papel desempenhado pelos derivativos, não como instrumento de hedge, mas sim como principais atores no drama das especulações.
Olhando para nosso umbigo: Nosso país vem de longa data se sustentando em parte (ou sendo sustentado), a base de rentistas e especuladores internacionais (e nacionais) que apostam em todo tipo de carry trade, na prática, é a situação de captar em países com taxas de juros baixas (por exemplo, o Japão) e aplicar em moedas (ou fundos) de países com taxas de juros altas (nosso caso). Com a tentativa de mudança de paradigma em relação as nossas taxas internas, são vários os cenários que podem ser pintados, desde os positivos, como a obrigatoriedade de investimentos em produção, a fim de manter as atuais taxas de retorno, como as sombrias, com fuga de capitais, quando as empresas (e pessoas) começam a se preocupar mais com o retorno do seu capital do que com o retorno sobre o mesmo (capital).
Enquadramo-nos dentro dos emergentes e desde a década de noventa, são os que mais têm contribuído para o crescimento global, porém até mesmo a China, o principal motor, já mostra se não sinais de cansaço, sinais de que necessita ser realimentado, ou seja, seu enorme consumo interno não será suficiente frente ao seu enorme poder de produção e conseqüentemente ofertar. Assim, caímos na velha lei, de que necessitamos de demanda, para atender a oferta e no caso do Brasil não será diferente, quando talvez o processo de desvalorização de nossa moeda não faça frente a nossa necessidade de exportar, similar a chinesa, que controla o Yuan com pulso firme.
São muitas variáveis, sejam estruturais ou conjunturais que precisamos, tanto aceitar como enfrentar e no fim das contas, resolver, não buscar mais vantagens comparativas (ou se preferir o termo de Prebish, cair nas desvantagens reiterativas), mas sim buscar vantagens competitivas, segundo Belluzo em artigo no Le Monde Brasil de 03/06/2012:

(...) a construção de vantagens competitivas e dinâmicas nas economias em desenvolvimento exige capacidade para sustentar taxas elevadas de investimento – tanto público quanto privado – e, ao mesmo tempo, competência para contornar as restrições de balanço de pagamentos. Isso requer a manutenção de saldos em conta corrente, reservas elevadas e equilíbrio entre a gestão fiscal e a política monetária.

O início do processo de Globalização remonta há muito tempo atrás, porém, dois marcos considero de suma importância, tanto a organização da haute finance (termo do economista Karl Polanyi no livro “A grande transformação: As origens da nossa época”) no final do século dezenove e na ótica de George Soros, o mega especulador em seu bom livro “A crise do capitalismo: As ameaças aos valores democráticos – As soluções para o capitalismo global”: a desintegração da União Soviética, criando um vazio no poder do estado e o desequilíbrio no jogo de poder mundial. A ex-URSS acabou sendo o primeiro estado/nação disponível para os tentáculos do capital internacional, após os anos das colonizações, quando os países desenvolvidos literalmente guerrearam por causa de territórios a serem explorados, vide a Primeira Grande Guerra.
Com o fim dos países comunistas na Europa (principalmente: Alemanha Oriental e URSS) foi possível discernir a presença de um novo sistema econômico global, onde não tínhamos mais apenas o livre comércio de bens e serviços, mas também o livre movimento de capitais.
Este livre trânsito de capitais, com sua origem apontada por Polayni e a movimentação por Soros, apesar de sua natureza não-territorial, o sistema possui efetivamente, um centro e uma periferia.
Assim, cabe uma pergunta reflexiva: quem é o responsável pelo sistema financeiro internacional?
Não existe um Estado, apesar da supremacia americana. Existe muita cooperação, principalmente na época de bonança, mas as autoridades financeiras e monetárias, que controlam as regras do jogo, não demonstram tanta boa vontade quando o ciclo muda e principalmente, não existe um banco central regulador mundial, com força comparável as instituições nacionais (de cada país).
As nações se mostram pouco inclinadas em abrir mão da sua soberania, quando dinheiro e crédito estão intimamente relacionados com as questões desta soberania e vantagens competitivas.
Assim, qualquer construção mundial, seja Mercosul, União Européia, G-20, implicará na cessão de parte da soberania de cada Estado em benefício do conjunto. Quem estará disposto a ceder? Estarão os gregos (por exemplo) dispostos a mudar sua configuração tributária para legislação similar a alemã? Ou os alemães pagarão de bom grado o déficit de contas correntes grego, causado pelo anseio da moeda única de dez anos atrás?
Voltemos ao final do exterminador. O filme é muito bom, não canso de revê-lo ou ele não cansa de passar na televisão? Assim como o capitalismo, também é bom ou somos forçados a acreditar? Enfim, é graças ao fluxo constante do capital que adquirimos nosso pão de cada dia, mas se realizarmos uma metáfora deste fluxo, como nosso próprio fluxo sanguíneo, na falta deste morremos e em excesso idem, assim, se os capitalistas estão constantemente (re) produzindo seus excedentes na forma de lucro, naturalmente serão forçados a (re) capitalizar e investir uma parte deste excedente em novas e mais novas expansões. Mas até quando haverão rotas de saída? Não existem novas fronteiras ou países a serem colonizados, mas sim um “todo”, desde que passou a haver maior facilidade para o capital-dinheiro líquido vaguear pelo mundo afora.
Existem fatores por demais complexos, não só no campo econômico, pois envolvem também variáveis culturais e sociais na balança. Porém, a globalização, para o bem ou para o mal, representa a atual face do capitalismo e da democracia, com um difícil divórcio entre o sistema político e econômico.
O dito de que crises não são falhas do sistema (capitalista), mas sim a forma pelo qual ele funciona, cada vez se mostra mais verdadeiro.
A preocupação ecológica com o derretimento das geleiras é válida e necessária, mas voltará à hora de nos preocuparmos (e tão dificilmente nos solidarizarmos) com o derretimento de nossos ativos.
O grande navio não enxergou o iceberg (somente vendo a ponta) e o andróide vilão parecia nunca morrer...


terça-feira, 29 de maio de 2012

Catastroika

O termo "catastroika" foi cunhado pelo acadêmico francês Jacques Rupnik para indicar os efeitos das privatizações sobre a sociedade russa no fim dos anos 1980, porém, a palavra tem um sentido peculiar na Grécia de hoje, governada pela troika FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e UE (União Europeia). Desde junho de 2011 opera no país o "Fundo pelo desenvolvimento da propriedade privada do Estado", que tem o objetivo de privatizar serviços e bens públicos...
Enfim, veja o filme/documentário que trata das privatizações a que a Grécia será submetida no futuro próximo, analisando como o processo de apropriação de instituições e bens públicos por entes privados já se deu em vários países, sempre com o mesmo resultado: milhares de desempregados, empobrecimento social e a criação de novas e poderosas oligarquias...
Não poderia terminar, sem o dito de Heilbroner; “Crise não é uma falha do capitalismo e sim a forma pelo qual ele funciona”.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

G- 20 (Algo mais sobre...)

Clique no mapa e acesse um atlas interativo contendo informações sobre os países que formam o G-20.

Em 2 de abril de 2009, pertinente a reunião do grupo em Londres, na mesma data, o célebre escritor português, José Saramago questionou em seu blog:

“Quê?
   Para quê?
     Para quem?” 

Ideologicamente de posição antagônica ao liberalismo econômico, Saramago não só posicionava-se, mas levava ao questionamento de “para que” e “para quem” serve e servem as políticas implantadas e defendidas pelo grupo: eliminação de restrições no movimento de capital internacional, idem no comércio internacional, condições flexíveis do mercado de trabalho e outras tantas, que parecem saídas diretamente da cartilha do “Consenso de Washington”.
Ao defender determinadas “boas práticas”, o grupo de 19 países mais a União Européia (constituída de 27 países), se são responsáveis por 85% do PIB mundial, 80% do comércio no mundo, com 2/3 da população entre suas fronteiras, está de alguma forma também defendendo esta mesma população, como um todo? Ou está defendendo a manutenção de o status-quo de uma elite mundial?
Sua composição, de ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais, dá a dimensão do que é discutido e arregimentado no grupo: decisões financeiras e comerciais. Se as decisões do grupo são para o bem de todos, ninguém paga a conta?

Mas existe consenso neste grupo? Questões aparentemente simples, como o câmbio, são extremamente complexas e tratadas ponto a ponto segundo os interesses de cada país, que normalmente são diferenciados. Por exemplo: A diferença de posição entre a China e os EUA quanto à adoção do câmbio flutuante. Enquanto os EUA forçam nesta direção, o que melhoraria seu balanço de pagamentos com a China, esta não abre mão do controle sobre as cotações do Iuan, sua moeda, mantido valorizado e chave da porta das importações chinesas, assim como maior protetor de sua indústria.
O G-20 foi criado meramente para preservação do Capitalismo, reunindo seus principais sócios ou para manutenção do poder e influência dos países já tidos como desenvolvidos, trazendo para seu bojo os países em desenvolvimento, com a inclusão dos BRICS (e outros) no G-8? Alguém em sã consciência pode considerar a China ainda como país em desenvolvimento? Maior credora dos EUA pode-se imaginar o estrago caso os chineses pararem de “pedalar sua bicicleta”?
Vale-me a metáfora de Mohamed El-Erian, economista e autor do livro “Mercados em Colisão”, à respeito da entrada dos emergentes no cenário econômico mundial:

“Por vários anos, a economia global se parecia com um avião voando com um só motor (...) agora o motor está engasgando. Mas o avião será capaz de manter altitude porque um bom número de motores menores estão entrando em ação...”

Em suma, O G-20 é uma tentativa um pouco mais ampla de coordenação e preservação de uma ordem internacional que parece estar caducando, segundo a ótica do não pouco renomado Nobel de 2008, Paul Krugman (New York Times, artigo em 27/10/2011):

"(...) vale a pena examinar o quadro mais amplo, ou seja, o fracasso retumbante de uma doutrina econômica – uma doutrina que provocou danos enormes tanto à Europa quanto aos Estados Unidos.
A doutrina à que me refiro consiste na afirmação de que, após uma crise financeira, os bancos precisam ser resgatados, mas a população tem que pagar o preço do resgate. Assim, a crise provocada pela desregulação transforma-se em um motivo para que haja um deslocamento ainda maior para a direita; um período de desemprego em massa, em vez de estimular a adoção de medidas governamentais para a criação de empregos, transforma-se em uma era de austeridade, na qual gastos governamentais e programas sociais são cortados."