sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira

Tirei uns dias de folga, vou curtir as crianças, colocar os "filmes" em dia e os livros não necessito colocar, pois não me deixam mesmo, talvez deve-se eu deixa-los um pouco, mas como? Se ouço vozes vindo da estante a me chamar. Ontem fui assistir Ensaio Sobre a Cegueira, já havia lido faz tempo. Seria babaquice de minha parte falar de Saramago, o final do nome já diz tudo, mas o filme achei muito bom e não entendi a razão de algumas críticas negativas, talvez porque alguns esperavam um filme a altura do livro, o que seria inexoravelmente difícil. O próprio Saramago achou o filme ótimo, destacando que a obra escrita é uma e a filmada é outra, que se o filme fosse cópia fidelíssima de um livro, qual a razão de filma-lo? Bem, talvez para ser "visto" por aqueles que não sabem ler. E se Saramago (sabiamente) colocou esta blindagem no filme, que bom não é Meirelles? Os críticos é que sentem em suas confortáveis poltronas, pois é mais fácil bater que colocar a cara para apanhar.

Lembrei de uma parábola zen, na qual vinham dois homens pela floresta, um deles cego, sendo guiado pelo outro. Uma escura floresta, numa fria montanha de densa vegetação, quando de repente um demônio assomou no caminho. O cego não experimentou o menor receio, mas o companheiro ficou paralizado de medo, totalmente apavorado! Foi então que o cego passou a conduzir o amigo...

4 comentários:

Dora disse...

Renato. Eu também li o livro de Saramago faz tempo! Mas, não assisti ainda ao filme.
Li algumas críticas negativas. Guardei só o boicote que os Estados Unidos estão fazendo contra o filme, por "entenderem" que os cegos são apresentados como "incompetentes e depravados".E que há manifestações de pessoas cegas, nas portas dos cinemas que apresentam o filme.
Fernando Meirelles modificou, na filmagem, muitas cenas do livro, como ele mesmo diz: "amenizei as cenas de estupro..", etc.
Não sei opinar. Mas, o livro é extremamente depressivo porque, como entendi, mostra a faceta abjeta do ser humano( faceta nossa, de nós todos!) quando sbjugado por situações-limite...Não é?
Deixo-lhe meu beijo!
Dora

Jens disse...

Oi Renato.
Não li o livro e não vi o filme. Faz uma porrada de tempo que não leio nada que preste (literariamente falando). Por sorte, li bastante quando jovem (sim, fui jovem um dia) acumulando um capital cultural que me garante a existência até hoje. É claro que vez por outra é preciso azeitar a máquina. Tuas indicações - livro e filme - são uma boa oportunidade para isto. Providenciarei, qualquer hora.
Um abraço.
Arriba!

loba disse...

Ah Renato, achei tão linda a parábola! Acho que tou precisando de alguma cegueira pra endireitar meus caminhos! rs...
Qto a Saramago, realmente o final do nome já diz tudo. Eu o conheci através do Evangelho que vieo parar em minhas mãos por acaso. A partir daí, até adquiri o sotaque português! rs...
E vou ver o filme, claro! Não costumo escrever sobre livros e filmes (costumo escrever só sobre mim, né? r.s..) mas talvez eu até fale das minhas impressões. De tanto que o livro me marcou!
Beijo, samurai!
(ah... ando meio sumida, né? coisas da vida chata de trabalhadora. mas continuo te amando cada dia um pouco mais!!!)

Halem Souza disse...

Olá, Renato! Vim retribuir a visita que você fez ao meu "espaço" na Web, na última semana. Já havia visto o seu blog na lista de links do Pirata, mas nunca tinha tempo de conferir.

Li Ensaio sobre a cegueira em duas épocas distintas, mas o impacto foi forte em todas elas (até falei sobre o romance no ano passado lá no Ração).

O filme eu não vi. E nem sei se veria. Acho que não suportaria ver materializado em imagens todo o horror de que trata o livro.

De todo modo gostei do seu blog, já devidamente incluído entre os Favoritos.

Volto mais vezes. Um abraço.