segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Até quando esperar



Em recente postagem no blog do Prof. Toni (vide vale a pena) , em 30/08, (mais uma vez) me estendi nos comentários e aproveito para postar este, parte já havia sido colocada anteriormente (20/06/08), então aproveito para engrossar um pouco o caldo...

Prezados, deixa eu "tentar" esclarecer algo, puxando a brasa para minha sardinha, antes de olhar para Capitalismo e Socialismo, como "política", deve-se olhar como modelo econômico, pois a primeira (forma política), vem da estruturação da sociedade na segunda. Vide a China atual, que ainda se auto-proclama comunista, mas pode?
A complexidade do estudo econômico é tal, que até mesmo, entre nós economistas, existem profundas divergências, portanto elocubrações sobre o melhor sistema (econômico), é isso, troca de idéias e ideais...Há os que são contra o livre mercado, taxado de impossível e injusto, pois é inerente ao homem a exploração, dividem o mundo em países exploradores e países subdesenvolvidos (explorados), um conceito (entre alguns economistas) totalmente ultrapassado. Outros olham o mundo (em TEORIA) de forma harmônica, onde as forças atuantes, levam a longo prazo, a redução do lucro e eficiência na distribuição (estes seriam favoráveis ao mercado livre). Claro que esse mundo de laissez-faire poderá não se afinar com nosso senso particular de justiça distributiva, mas sempre será possível ao Estado ajustá-lo, sem atrapalhar o livre jogo. E sim! Com possibilidade de FORMAÇÃO DE RIQUEZA e não simples (e simplista idéia) de transferência. Porém (e aí é que a porca torce o rabo, não é Professor?), o nosso mundinho moderno fica bem distante dos belos edifícios matemáticos, projetados por nós economistas (sim, mea culpa)...

O ponto básico (ao meu ver, claro), é que a busca pelo lucro máximo, quando praticada pelo pequeno empresário (cuidado com esse conceito de pequeno), conduz a uma harmonia natural do sistema, mas quando posto em prática pelo monopolista ou oligopolista, dará margem a consideráveis distorções na (má)distribuição de renda, necessitando obviamente da dita intervenção governamental, visando conciliação, ou simplesmente coibir monopólios. Mas como? Se por várias vezes, o Estado é o primeiro a estimular os mesmos? Temos um ciclo infernal...Voltando: Os pontos centrais da controvérsia, entre os méritos dos regimes capitalista e socialista, envolvem questões éticas, jurídicas e filosóficas muito mais amplas do que as questões puramente econômicas, apesar (como dito antes) das segundas (questões) serem fruto da primeira. Só um adendo (mais um) Professor: Marx e Smith, são bons para estudar HISTÓRIA econômica, porém, economicamente (pelo viés matemático, concordo que chato,mas que sem ele NÃO existe economia), seus estudos são ultrapassados, não discordando do "velho Karl", do ponto de vista ideológico.
Em seu livro "A História do Pensamento Econômico", Robert Heilbroner, classifica o livro de Engel " The Condition of the Working Class in England in 1844", como o mais terrível líbelo contra as favelas do mundo indústrial, neste período, Engels andou por toda Manchester (berço da revolução industrial), vendo em que condições se encontrava a recente massa de trabalhadores. Certa vez, comentando sobre a miséria da cidade e as "bases" em que ela havia sido construída, com um cavalheiro, seu amigo, ouviu como resposta:"E no entanto, ganha-se uma fábula de dinheiro aqui; tenha um bom dia, sir".
O que mudou de lá para cá? Acredito que nós estamos aqui para isso...
É necessário analisar a economia, não como apologia da ordem existente (ou objeto do desejo), mas com uma visão equilibrada, realçando o positivo e combatendo o negativo de cada "tratado" econômico, buscando corrigir as distorções do sistema, seja ele qual for. Devemos buscar:
Determinado grau de intervenção governamental sem um corpo de burocratas;
A vitalidade (competitiva) do capitalismo, sem uma classe de poderosos capitalistas;
Uma bolsa de valores, sem um cassino...
Cada um deste ítens, deve ser esmiuçado, mas não são assuntos para uma só postagem de blog...

8 comentários:

loba disse...

Renato, acho que vou me repetir mas tneho que dizer: sou completamente emburrecida nestes assuntos. Eu tento, juro, gostar de economia, mas não consigo!
E na minha completa ignorância, só posso dizer que sou a favor da intervenção do Estado criando regras que inibam os grandes predadores.
Na verdade, sou ainda pela estrutura socialista. Apesar de todas malfadadas experiências e dos desmandos por ela gerados, ainda acredito que seja a melhor forma de se chegar a uma melhor distribuição de renda ou a uma maior valorização do humano.
rs... chega de falar sobre o que não s ei né? Melhor continuar te lendo caladinha!!!
Beijocas

CRIS disse...

Renato...
Venho te agradecer o comentário simpático deixado no meu sítio e no do pro. marcelo a respeito do texto publicado.Não sou intelectual , escritora ou literata. mas uma arquiteta que gosta e escreve com o coração , simplesmente.

Lendo teu competente texto me lembrou estar numa roda de americanos : entendo quase tudo mas não saberia responder nadica...rsrsr

beijão e apareça sempre que puder.

Prof Toni disse...

Renato, suas participações são sempre pertinentes e mais do que bem-vindas! Abraços.

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Renato, xará,
Lia muito sobre o assunto na Faculdade. Agora, confesso que não tenho o menor interesse, sou uma alienada. Prefiro a minha profissão e algusn passatempos, como este: eu peço que dê mais um pulinho no meu Blog, pois fiz novo post. Não precisa ver tudo. Basta apertar a tecla "page Down" do computador e para onde quiser. Se quiser ver mais coisas, volt no dia seguinte, o post não vai sumir.
Um beijo,
Renata
wwwrenatacordeiro.blogspot.com

Dora disse...

Renato. Agora sou aprendiz aqui.
Vou estudar o texto, ao invés de comentar. E vc me corrige o resumo que farei:
O Capitalismo e o Socialismo, como política, é um ponto a se discutir.
Seu olhar sobre eles é do ponto de vista do "modelo econômico".
Qual o melhor? É complexa a escolha. E há divergências e trocas de idéias entre os economistas.
Há os que são contra o livre nercado, por causa da exploração(inevitável?). Outros enxergam a possibilidade do livre mercado por acreditarem na redução do lucro e na eficácia da distribuição.
Mas, o "ponto básico" é que a busca pelo lucro máximo pelos oligopólios e monopólios gerará distorções e o Estado terá que intervir. Mas, às vezes, o Estado é conivente com eles.
Então, você resume, no equilíbrio: seja qual for o sistema, buscar a intervenção estatal, sem os burocratas; o Capitalismo, sem a classe dos poderosos e a Bolsa de Valores, sem ser um "jogo"...
Pronto.
Entendi.
Mas, não comentei. Concordei...
Beijão!
Dora

loba disse...

Vc me deixou sem graça, viu? Será que deixei implícita a palavra "chato"? Vamos trocá-la por penoso! rs... Mas nem tudo que a gente precisa tem sabor de quero-mais, né?
Mas beijo tem! Por isso eu gosto!!! E de samurai tb! rs...

Renato Couto disse...

Loba: Todos sabemos (ao menos as pessoas de bem), o que é justo e correto, mas a maneira de coloca-los em prática também tem que ser justa e correta...E não fique sem graça, eu também acho matemática muito chata, apesar de algumas vezes, me pegar "resolvedo" equações por divertimento (confesso haver um pouco de loucura nisso...)
Xará: Não ne avexe não, baião de dois, deixe de manha...
Dora:Sabemos da complexidade da palavra liberdade, tanto é, que até mesmo em conceitos como mercado livre ou livre sociedade,desaguam numa série de paradoxos...
Prof Toni: Sempre que no seu blog, algum tema for da "minha praia", pode apostar que eu não resistirei. (Ah! E os que não forem, também darei alguns "pitacos")

Renato Couto disse...

Cris: Deve ser como eu me sentiria, numa roda de arquitetos...hehe