sábado, 3 de abril de 2010

Um pouco mais que a Lei de Say

Say, Jean-Baptiste
(1767-1832)

Malthus, Ricardo e Say

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Determinados assuntos, não só os econômicos, são de difícil datação, simplesmente todos que remontam a antiguidade e longínqua época da recente descoberta da tipografia, numa época onde floresciam analfabetos. Mas segundo consta na literatura, em 1798 Malthus, um pároco, contemporâneo de David Ricardo, mas que ao contrário deste, um homem de ações econômicas, que “operava” no mercado londrino (Ricardo), seguia apenas uma carreira acadêmica, provavelmente mais afeita ao seu recatado temperamento, publica um ensaio afirmando que a população ultrapassaria todos os meios possíveis de sobrevivência e subsistência, pois as (cada vez mais) bocas famintas seriam maiores que o estoque de mantimentos da natureza.

Pois nestes fins de XVIII e início de XIX, Ricardo colocou de certa forma um fim no conceito de Smith, onde a sociedade se movimentaria em harmonia, como uma escada rolante ascendente de progresso, seria o contrário, uma batalha para garantir um lugar seguro na mesma. O mundo econômico tendo constante tendência a se expandir. Como os capitalistas acumulavam, construíam mais lojas e fábricas, isto melhoraria os salários, num processo (efeito dominó) de crescimento.

Enquanto Malthus se preocupava com o que ele denominou “pletora” geral, ou seja, um excesso de mercadorias sem compradores, questionando se o “modelo” não levaria a que o excesso de poupança deixa-se a demanda de mercadorias menor que a oferta? Ou seja, se a renda, neste modelo simplificado divide-se em consumo e poupança, num desequilíbrio (excesso de poupança), ocorre a redução do consumo e, por conseguinte dos empregos e sem salário ninguém consome, desta forma a oferta criada em determinado T1, seria menor que a demanda em T2.

Ricardo refuta as idéias de Malthus, mas quem também ganha fama, é um jovem francês chamado Jean-Baptiste Say, que acreditava que em via de regra (já que o proposto por Malthus não foi demonstrado) a demanda por mercadorias era infinita, pois a fome consumista do ser humano por móveis, enfeites, roupas e luxos parece infindável (não sei de Say era um bom analista da espécie humana, mas com certeza era da feminina). Não sendo só a capacidade de demanda infinita, mas a capacidade para comprar era garantida, pois no seu ciclo, se cada mercadoria produzida custava alguma coisa, cada custo se reverteria ao ganho de algum homem, assim como então poderia ocorrer à pletora geral? Say foi irredutível: “Toda oferta gera sua própria demanda”.

Estas questões se alongam durante o desenvolvimento do pensamento econômico, tanto, que hoje em nossas universidades, ainda estudamos o “modelo de Solow”, que leva em conta que a taxa de poupança equivale ao investimento e esta(e) determina a variação marginal do capital e por (com)sequência a renda (Y).

Continua com Marx, Schumpeter e Keynes

4 comentários:

Jens disse...

Oi Renato.
Através das tuas palavras fica mais fácil entender as teorias econômicas (um assunto sempre espinhoso para mim). Parabéns pela didática.
***
Sou inclinado a concordar com Say: “Toda oferta gera sua própria demanda”. E também com Ricardo: "a fome consumista do ser humano parece infindável".
Agora, me dê licença que eu vou às compras.

Um abraço.

Jens disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Halem Souza disse...

Lendo a "lei" de Jean-Baptiste Say, acabei por lembrar de uma frase famosa do Nelson Rodrigues: "o homem só é feliz pelo supérfluo", na sua crítica contumaz ao comunismo.

Renato Couto disse...

Jens: Veremos no próximo post, Lord Keynes desmontar o "velho" Say...

Halem: Se Nelson está certo, por analogia chegaremos que o homem só pode ser feliz no capitalismo...
Mas não é o capitalismo em si, mas sim o culto ao individualismo, sendo um problema cultural, daí talvez o sucesso de uma China comunista e fracasso de uma URSS também comunista...(vou me estender "economicamente" nisso em futuro post, na "série sobre a Lei de Say - será o último)