sábado, 26 de julho de 2008

Inflação, Juros e Alergia

Venho lá do blog do Prof. Toni ( vide Vale a Pena ) onde o mesmo fez uma postagem em cima de um texto do Luis Nassif ( Vale a Pena idem), como acabei me estendendo nos comentários, aproveitei e faço este post, no final falo em um filme, irei assistir : Antes que o diabo saiba que você está morto...
Nassif é um craque e volta e meia, falo isso, quando diz que o "BC não aposta na dinâmica da economia", realmente não aposta, mas não aposta por que? Por faltar conhecimento técnico ou por outros interesses? Como a turma que "toca" a economia nacional a varios anos é composta também por "feras", vai daí a pergunta, qual o interesse de manter esta política (economica)? Simples fidelidade aos argumentos de Keynes? O estudo economico é dinâmico (por isso volta e meia falo contra a teoria de valor de Marx, mas isso é assunto para um outro dia...) e inflação não é o "aumento generalizado nos preços", como dizem no primeiro ano da faculdade, mas sim a depreciação do poder de compra da unidade monetária - algo bem diverso, portanto. Dessa forma, o que causa a depreciação no poder de compra da moeda, será mesmo agente causador da inflação, então caminhamos e chegamos ao aumento na oferta de unidades monetárias (Juscelino foi uma caso clássico). E quem pode fazer isto? Somente o Estado, pois é o monopolista da impressão de dinheiro.

Porém (e existe sempre um porém...) temos outro tipo de "moeda", que não está sob o total controle do Governo ou das autoridades monetárias (uma falha da teoria quantitativa, mas isso não é assunto para não-iniciados): a moeda creditícia. Esta é gerada pelo sistema bancário em momentos de expansão econômica, ou seja, a moeda tanto é criada de dentro pra fora, como de fora pra dentro...Afinal, o que o banco vende ( e pra vender, tem que produzir), se não dinheiro?
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Em um contexto de livre mercado, onde não há expansão artificial da moeda, um aumento de preços setorial (digamos nos alimentos) não implica inflação, mas sim em aumento RELATIVO no preço dos produtos alimentícios. Todos os demais produtos da economia permanecem os mesmos. Porém, agora, as pessoas demandarão mais recursos para adquirir a mesma quantia de alimentos que antes, o que necessariamente implicará uma redução de consumo dos outros bens, pressionando seus preços para baixo, havendo, por fim, um ajustamento que não implicará num "aumento generalizado nos preços". Porém, se o Estado quiser "salvar" a economia (como rezam os keynesianos), mantendo a prosperidade através da emissão de moeda, isto acarretará em inflação. Caso haja continuidade desta política, necessariamente decorrerá um período de expansão artificial (pois o crescimento não é sustentado em poupança, mas em notas de dinheiro pintado). Cedo ou tarde, o governo terá que rever este artificialismo com o aumento dos juros para refrear o conjunto de investimentos insustentáveis, por causa da própria inflação, que passa a corroer o poder de compra da moeda.
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Com isso, os banqueiros gargalham, pois o aumento dos juros não representa (na prática) uma contenção creditícia e sim somente alargamento dos prazos, vide a 4 anos atrás, o financiamento máximo de um veículo zero km, era de 48 meses e hoje chega a 72 meses !
Uma situação como esta, não pode ser infinitamente sustentada, acaba em caos monetário, como o médico que receita Dimeticona para reduzir uma dor abdominal, por causa de uma gastrite e o paciente sendo estremamente alérgico a este composto acaba todo "empipocado", tendo que tomar Cloridrato de Fexofenadina, senão corre o risco de um Edema de Glote. Não, não sou médico, apenas já sofri na pele, (literalmente) a coçeira interminável de uma alergia...Resumo da ópera: Começaram por um caminho errado e agora fica difícil voltar a estrada certa.Putz!Professor, comecei na economia, entrei na alergia e hoje é sábado, deixa eu ver se tem algum filme bom no cinema...
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PS: Acabei fazendo algumas alterações/correções da postagem original dos comentários no blog do Prof. Toni
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Charge: Angeli

2 comentários:

loba disse...

(ô droga!!! deu uma página qq coisa aqui e agora nem sei se o meu comentario foi!!! se foi vc exclui este, please!)
Mas eu dizia que saí agora de um blog onde o prof toni comentou e fiquei morrendo de inveja da sua competencia (tanto em relação ao tema qto com as palavras). mas estou em plena crise de invejice, então vamos deixar rolar...rs...
qto à economia, embora a inflação seja um dos piores fantasmas a me rondar (o meu consumismo ainda vai me matar!!!) prefiro pensar nas possibilidades (culturais ou não) de um samurai brasileiro!!! rs...
Beijocas

Renato Couto disse...

Loba: Você não é pra ter inveja e sim pra ser invejada...Ah! Grato pelo samurai (Domo arigatô gozai masta). O gozai é outra coisa...heheh