quarta-feira, 30 de julho de 2008

Misto-Quente 2 (continuação)

...Ao final de sua canja, cuja música não lembro, apenas que fora acompanhado por outro cara, bom pacas de viola, que estava com um doze cordas puro aço, Evandro devolveu-me o violão e na sua forma característica de falar disse:
Pô cara, bom demais teu violão e seu som também, m-a-n-e-i-r-o, me amarrei quando você encheu a boca e disse: c-a-b-a-ç-o. Putz! Os jurados ficaram se olhando, até parecia que ninguém sabia o que era...
Estendeu-me a mão, num aperto malandreado e sincero:
– Aquele a-b-r-a-ç-o, mano!
Nesta época, a Blitz estava recém desfeita, mas Evandro continuava um popstar nacional e até hoje quando o vejo na telinha, lembro deste dia no Circo Voador e tantas outras histórias dos anos oitenta. Voltei a tocar outra vez por lá, desta vez numa festa do Partido Verde, não o monstrengo que está hoje aí, com tantas notícias de maracutaias, notas fiscais forjadas para encobrir retiradas desonestas, chegando ao ponto de casa alugada para festas estilo Palocci.
Bem, assim me relata meu amigo Coelho, ativista verde, que comprou o sonho e vive hoje um pesadelo (expulso do partido "a la" Heloísa Helena, no PT ) por denunciar a turma do Sirkis (que até escreveu um bom livro-Os Carbonários). Não sei se as denuncias procedem, mas o Coelho é meu amigo e dos amigos eu tomo partido.


Uma das coisas que me intriga e irrita é isso: Onde foram parar aqueles ideais todos? O que está errado? O sonho de uma sociedade melhor, mais humana e justa ou não vale a pena apostar no homem em si? São tantos exemplos de personas, que tinham um determinado discurso e quando os vemos na prática, a coisa muda de figura, não pela teoria ser errada (vai daí a teoria do valor de Marx, ser melhor observada como ideologia do que como teoria econômica), mas por absoluta falta de caráter. Será que Lord Acton estava certo e "todo poder corrompe?"


Sem suas listras, o tigre deixará de ser tigre?

7 comentários:

Cherry disse...

é, como eu não tenho uma boa imaginação, acredito piamente qdo vc diz q estava chapado...
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
E eu acho q só os fracos de carater, ou aqueles q não tem nenhum carater, é q se deixam (deixam?) corromper...
No mais, como sou fruta, não posso opinar sobre animais...rs

Beijos!!!!

Renato Couto disse...

Cereja:
Você pode opinar sobre qualquer coisa...pois suas palavras são como a flauta do dito cujo de Hamelin (apesar de'u não ser um rato, heheh )

loba disse...

chegou a entendida em listras!!! rs...
vc sabia que as listras destes felinos equivalem às impressões digitais? pois é, então não há tigre sem listra. Mas é possível ao animal humano ter todas as caracteristicas felinas, embora tenha a identidade impressa nos dedos. Na verdade, o que mais importa neste tigre humano é a sua pegada! rs...
Agora, vamos à outra pergunta. Não sou tão entendida em comportamento humano qto o sou em listras, mas não tenho dúvidas de que o poder corrompe. Existem, é claro, as exceções, mas a história nos mostra com clareza que nem os anacoretas se viram livre de sofrer os efeitos colaterais do poder.
Mas o que me interessa mesmo é dizer que, como você, tomo partido dos amigos. Contra o mundo se preciso for!
Um beijo, um carinho e uma piscadinha! rs

Renato Couto disse...

Loba:
Infelizmente é verdadeira sua assertiva sobre corrupção e poder, tanto é, que os que não o são, viram lendas ou santos...Uma loba ao som de um zepellim voador, deve ser imperdível...Outro beijo com carinho.

Dora disse...

Você coloca tantas questões. E, como você, minhas reflexões ficam muitas vezes sem respostas. Mesmo embasada em escritores e pensadores, a pergunta "se o poder corrompe" fica sempre pairando no ar, sem resposta conclusiva...Porque ela depende de como se encara o ser humano( aí já entra filosofia, aí já começam as especulações).Enfim. Só sabemos os fatos. E há mais afirmativas que negativas quanto ao poder corromper, né?
Abraços!!!
Dora

Renato Couto disse...

Dora:
Nossas reflexões muitas vezes ficam sem resposta, como outras vezes temos as mesmas e depois de um tempo não as temos mais ou temos outras...Infelizmente, como escreveu o Fausto Wolff, em determinado momento o homem escolheu o pior caminho. Valeu a leitura. Abraços.

Renato Couto disse...

Dora:
Nossas reflexões muitas vezes ficam sem resposta, como outras vezes temos as mesmas e depois de um tempo não as temos mais ou temos outras...Infelizmente, como escreveu o Fausto Wolff, em determinado momento o homem escolheu o pior caminho. Valeu a leitura. Abraços.