domingo, 13 de fevereiro de 2011

Eu, Etiqueta

Continuo no ventre do bicho. Acho que nunca mais sairei dele, até me aposentar. Talvez até intercale com algumas aulas, mas será sempre do ventre deste, que sairá meu sustento. Venho para contar, em sussurro: a torneira está fechada. Mas a miúde, falarei mais...por enquanto é só, deixando a poesia de um, que virou estátua sentada na praia de Ipanema...
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EU, ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio intinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar a minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar, ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
da minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante, mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade,
O Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1984, p.85-87


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Retrospectiva das 10 postagens mais visualizadas (que palavra)

Não tendo nada de novo para contar, faço uso do serviço do blog, de verificação de acessos e visualizações de páginas...

25/12/2008, 9 comentários

786 Visualizações de página









14/05/2010, 3 comentários

408 Visualizações de página









14/03/2010, 2 comentários

327 Visualizações de página









22/06/2008, 2 comentários

247 Visualizações de página









06/09/2009, 3 comentários

148 Visualizações de página









07/10/2009, 1 comentário
117 Visualizações de página










30/04/2010, 2 comentários

94 Visualizações de página









01/03/2010, 7 comentários

88 Visualizações de página









18/04/2010, 1 comentário
81 Visualizações de página










12/06/2008, 1 comentário
70 Visualizações de página


domingo, 16 de janeiro de 2011

CLUB BILDERBERG: O Coiso realmente existe Fausto Wolff

O assunto é longo e tenebroso, como as atuais chuvas que destruíram algumas cidades das serras cariocas. Não me estenderei, bastando uma tradicional busca no onipresente Google: CLUB BILDERBERG. Sim, digite por lá o tal clube e verá que o “Coiso” de Fausto existe. Não sou dado a crendices, nem teorias conspiratórias. Não acredito em deus, muito menos no diabo, mas até mesmo por conta da profissão, acredito muito no dinheiro. Por hora, basta o vídeo abaixo (entrevista com o jornalista Daniel Estulin, autor de “Clube Bilderberg - Os Senhores do Mundo”) e diminuta introdução no assunto abaixo (com base no próprio vídeo). Feliz 2011, se eles quiserem, of course...




Bilderberg, desde o seu início, tem sido administrado por um pequeno núcleo de pessoas, nomeados desde 1954. Os convites anuais só são enviados para pessoas importantes e respeitadas que, através de seus conhecimentos especiais, contatos pessoais e influência em círculos nacionais e internacionais, podem ampliar os objetivos e recursos do Grupo Bilderberg.

Os jornais não divulgam absolutamente nada, visto que ao sobreviverem da propaganda, estariam condenados sem a mesma. Sabemos como é simples para Rockefeller, o Primeiro Ministro do Canadá, Clinton, Blair e outros influentes Bilderbergers, pegar o telefone e dizer “GE, Siemens, Mercedes, Novartis, etc “, boicotem “tal jornal” ou canal de TV, ou seja, influenciar para impedir a publicidade em mídia...(continua, na sua esquina, no seu trabalho, na sua vida...)

Link para arquivo do livro em PDF: “Clube Bilderberg ”

sábado, 1 de janeiro de 2011

4 poesias

Sempre bisbilhotando no universo dos quadrinhos, achei este caboclo aí em cima, Rafael Sica. Um traço diferente, melancólico, não sei se o traço, seus temas, ou ambos, ou seja, sincronismo total entre o desenho e a idéia. Parecem saídos diretamente de uma mente não muito sadia (isto é um elogio), assim como sua assinatura, estilo em vias de alfabetização. Genial, valendo a máxima: uma imagem equivale a mil palavras. Mas aviso, se for dar uma olhada nos desenhos do moço, leve um anti-depressivo, no meu caso, optei por uma vodka on the rocks.

Não sou poeta. Às vezes crio coragem e faço, outras, tenho muito mais coragem e escrevo...


Pequenas Coisas

Sei que vivemos de pequenas coisas
e as coisas pequenas parecem se perder na imensidão,
mas só parecem,
só parecem,
parecem,
só.

R. Couto

Eu queria

Queria ser um escritor
Para poder todos os dias

Te dar poesia

De café da manhã.


R. Couto

Feliz Ano Novo


"Não temos uma vida curta,
mas desperdiçamos uma grande parte dela"

(Sêneca)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010